Brasileiros desconhecem medidas para combater zika, chicungunha e dengue

Em Pernambuco, já foram notificados 369 óbitos relacionados a arboviroses este ano (Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem)

 

 

 

Passado pouco mais de um ano da descoberta da associação entre a infecção pelo zika na gestação e o desenvolvimento da microcefalia em bebês, a população brasileira continua sem ter conhecimento adequado sobre formas de prevenção das infecções transmitidas pelo Aedes aegypti. De acordo com a pesquisa Sempre bem protegido, da Sociedade Brasileira de Dengue/Arboviroses (SBD/A), 49,1% dos entrevistados desconhecem a tríade formada por prevenção, sintomas e tratamento da zika.

 

“Os dados relativos ao conhecimento da população sobre os mecanismos de transmissão das arboviroses são evidenciados como superficiais nesta pesquisa, pois mostram que as pessoas não estão relacionando aspectos mais abrangentes, como formas de prevenção ao mosquito e carência de saneamento básico”, alerta o médico infectologista Artur Timerman, presidente da SBD/A.

Os participantes da pesquisa apresentaram alto grau de informação sobre temas como reprodução do mosquito, grupo de risco da infecção pelo zika (crianças e mulheres grávidas) e casos de microcefalia em recém-nascidos. Em compensação, os entrevistados ainda se mostram menos informados sobre a possibilidade de a doença não manifestar sintomas, além de não saberem que o ácido acetilsalicílico é contraindicado nos casos de zika, como é nos de dengue.

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“O diagnóstico baseado no quadro clínico geralmente é difícil para o médico. As mulheres podem ter infecção por zika e não ficar sabendo. Cerca de 80% são assintomáticas”, afirma o ginecologista César Fernandes, presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), associação médica que deu apoio à pesquisa, ao lado da marca SBP Repelentes.

Outro aspecto importante coletado na pesquisa, realizada com mil pessoas nas cinco regiões brasileiras, é que a dengue ainda é a doença transmitida pelo mosquito que mais preocupa para 39,3% dos entrevistados. A zika vem em segundo lugar (33,2%), seguida da microcefalia (18,3%) e da chicungunha (9,2%).

“Infelizmente, do jeito que a nossa estrutura de saneamento básico está, o combate ao mosquito vai ser sempre uma política de redução de danos. Vamos ter que conviver com essas três epidemias (dengue, chicungunha e zika) e aprender a prevenir a infecção pelo mosquito, tentando reduzir os criadouros a curto prazo, dentro da nossa casa, mas também enfatizar com a população os cuidados relativos ao uso de repelentes”, conclui Artur Timerman.

 

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