Cientistas sequenciam genoma de vírus da zika achado no sêmen

estrutura vírus da zika (Foto: Universidade Purdue/Cortesia)

 

 

 

Uma equipe de pesquisadores do Reino Unido isolou a primeira sequência genômica completa do vírus da zika encontrada a partir de uma amostra de sêmen. O estudo foi publicado na “Genome Announcements”, uma revista científica da Sociedade Americana de Microbiologia.

“Temos muitas perguntas não respondidas sobre como o vírus da zika é capaz de ser transmitido sexualmente, enquanto vírus similares não o são”, afirma o pesquisador Barry Atkinson, da agência Public Health England.

“É possível que as respostas para estas questões estejam no genoma viral, mas muitas sequências originadas do sêmen serão necessárias antes que os cientistas possam ver se há alguma mudança que lança luz sobre esse assunto”.

A investigação foi motivada pelo primeiro relatório dos Estados Unidos, de 2011, que apontava que o zika poderia ser transmitido sexualmente. “Com base nesse relatório, pedimos amostras de sêmen de todos os casos de zika importados para o Reino Unido, para assim fornecer mais evidências”, disse Atkinson.

Ele e seus colegas conseguiram sequenciar o vírus encontrado no sêmen de um adolescente do Reino Unido que tinha acabado de voltar deGuadalupe, no Caribe.

O risco de transmissão sexual já é bastante divulgado com relação ao vírus da zika. Os cientistas apontam, no entanto, que “o isolamento do vírus da zika no sêmen é um grande desafio e que pouca coisa havia sido publicada sobre o tema em específico, para que novos métodos sejam adotados e sirvam de modelo para outros seguirem”, disse Atkinson.

Parte da dificuldade para o sequenciamento do vírus pode estar relacionada com os tipos de células utilizadas por alguns pesquisadores para tentar fazer “crescer” o zika. Muitos deles utilizam células “vero” que, segundo os autores deste estudo, pode não ser a melhor escolha.
“Nós tentando isolar o vírus em duas linhas de células: as células “vero” padrão, encontradas em mamíferos, e as células C6/36, derivadas de mosquitos. O isolamento foi bem sucedido apenas no segundo caso”, explicou Atkinson. (G1)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *