Emoção marca o reencontro da mãe com Júlia no Aeroporto do Recife

 

Quinze dias depois de entrar em desespero com o desaparecimento da filha, levada pelo pai, a mãe de Júlia, Cláudia Cavalcanti, voltou a abraçar a menina, no início da tarde desta segunda-feira (25). A emoção tomou conta do Aeroporto Internacional do Recife, na Zona Sul da capital. A delegada Gleide Angelo, que encontrou a garotinha, de 1 ano e 9 meses, foi aplaudida e chorou ao aparecer ao lado de mãe e filha.

O pai deveria devolver a menina para a mãe após a visita semanal, no dia 10 de julho, mas desapareceu com ela e descumprindo a ordem judicial. Antes de viajar, ele sacou R$ 400 mil, segundo a polícia. Os dois foram localizados duas semanas depois, na cidade de Santana, no interior do Amapá. O pai foi preso e ambos foram trazidos pelas autoridades de volta a Pernambuco.

A criança chegou ao Recife, por volta das 12h45, com a delegada, responsável pela operação realizada na cidade de Santana, no Amapá, onde Júlia foi localizada, no sábado (23). Na operação, o pai dela foi preso. Ele chegou ao Recife no mesmo voo, sob escolta poicial.

Minutos antes do reencontro, na frente da área de desembarque do Aeroporto Internacional do Recife, na Zona Sul da capital, faltando alguns instantes para a chegada da filha, a mãe de Júlia desabafou: “Vivi a hora mais longa e difícil da minha vida”. A criança foi levada pelo pai no dia 10 de julho, após uma visita em Olinda, na Região Metropolitana.

“Estou ansiosa só de pensar que vou segurá-la nos meus braços. Já falei com a doutora Gleide [delegada Gleide Ângelo] e ela me disse que mostrou um videozinho que gravei para Júlia. Ela contou que Júlia me reconheceu e chorou”, disse com os olhos cheios de lágrimas. “Essas lágrimas são de felicidade. Eu estou explodindo de tanta alegria por dentro hoje”, acrescentou.

Bastante emocionada, Cláudia contou que mal dormiu e acordou cedo para arrumar o quarto de Júlia e preparar uma bolsinha especial de boas-vindas. “Trouxe uma bolsa com brinquedos, sanduíche e leite, mas tenho certeza que ela vai querer almoçar, porque é comilona”, em tom de brincadeira.

A menina estava sendo aguardada não só pela mãe, mas boa parte da família materna. Esperando na área do desembarque Sul do aeroporto, ficaram a avó, o tio, a tia e uma prima. Eles preferiram não gravar entrevista.

De acordo com o delegado Sérgio Ricardo, da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), uma viatura da corporação foi colocada na pista do aeroporto para facilitar o transporte do pai. Ainda não informou para onde ele seguiu.

Gleide Angelo e Júlia no Amapá, depois de a polícia encontrar a menina (Foto: Ascom Polícia Civil de Pernambuco/repdodução)

 

Ajuda dos taxistas

No domingo, quando estava no Amapá,  a delegada Gleide Angelo, responsável pelas investigações do Caso Júlia, contou com detalhes como a Polícia Civil de Pernambuco conseguiu encontrar a garota no Norte do Brasil. Ela tinha sido levada pelo pai no dia 10 de julho, em Olinda, no Grande Recife. Segundo Gleide, taxistas foram essenciais para apuração sobre o paradeiro da garota, de 1 ano e 9 meses.

Gleide revelou, em entrevista concedida a emissoras e jornais do Amapá, onde ocorreu a ação policial, que durante todo o tempo o pai da menina, que foi preso, usou táxis para se locomover.  Ele gastou muito dinheiro para sair do Maranhão e chegar até o estado onde a polícia conseguiu encontrá-los. Eles estavam na cidade de Santana, distante 30 quilômetros da capital, Macapá.

A policial informou, ainda, que o pai justificou as atitudes e alegou que pretendia morar com a filha definitivamente. Para Gleide, era um plano pessoal, sem levar em conta outros integrantes da família. “Ele disse que ninguém iria encontra-los”, salientou.

A delegada revelou que existe um mandado de prisão preventiva contra o pai e um mandado de busca itinerante para a criança. Ele vai responder por subtração de incapaz, que tem pena prevista de um a dois anos de prisão.

Entenda o caso

O Departamento de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA) passou a investigar o desaparecimento de Júlia ainda no dia 10 de julho. A tia da criança, a enfermeira Mirella do Amaral, informou que o pai tinha direito a uma visita por fim de semana e, na segunda vez em que foi buscar a filha, não a trouxe de volta. A polícia informou que o pai sacou R$ 400 mil uma semana antes de pegar a garotinha.

Segundo a polícia, o pai da criança está em situação irregular com a Justiça, pois descumpriu uma decisão judicial. Ele não atende o celular e sumiu das redes sociais. Como não possui emprego fixo, os responsáveis pela investigação temiam que ele deixasse o estado ou o Brasil.

Por isso, foram acionados a Polícia Federal, que controla o fluxo nos aeroportos, e o Grupo de Operações Especiais. Também houve alerta para os responsáveis pelo Terminal Integrado de Passageiros (TIP), maior rodoviária do estado, localizada no Recife. (G1)

Menina ficou longe da mãe por 15 dias / Foto: Diego Nigro/JC Imagem

 

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