Mais de 200 delegados decidem não realizar plantões extras em Pernambuco

Associação de Delegados de Polícia de Pernambuco lançou campanha para mostrar a sociedade números da criminalidade em Pernambuco (Foto: Cleonildo Cruz/Divulgação)

 

 

 

Em Pernambuco, 217 delegados de polícia decidiram deixar de aderir ao Programa de Jornada Extra da Segurança (PJES), que possibilita a realização de 10 plantões mensais de 12 horas para preencher as escalas da segurança pública. Com essa decisão, o atendimento será prejudicado em 90 delegacias do estado e algumas delas deverão fechar. O anúncio foi feito pela Associação de Delegados de Polícia de Pernambuco (Adeppe) em coletiva de imprensa realizada na sede da entidade no bairro da Boa Vista, na área central do Recife, na tarde desta quinta-feira (1º).

De acordo com a Adeppe, sem a adesão desses profissionais aos plantões do PJES, serão fechadas sete delegacias na região de Goiana, na Zona da Mata Norte; 13 na região de Palmares, na Zona da Mata Sul; 14 na região de Garanhuns, no Agreste; outras três na região de Vitória de Santo Antão, também na Mata Sul; além de aproximadamente 50 no Sertão pernambucano. Segundo a entidade, essa foi a maneira encontrada pela categoria para pressionar o Governo do Estado a apresentar medidas para solucionar a falta de condições de trabalho dos delegados, como extensas jornadas de trabalho e delegacias sem infraestrutura adequada

“Essa decisão é uma forma de protestar pela falta de valorização dos delegados de polícia de Pernambuco, que possui a pior remuneração da categoria em todo o Brasil, e também pela péssima infraestrutura das delegacias, algumas das quais não possuem limpeza e onde faltam itens báscios como água mineral e papel higiênico nos banheiros”, afirmou o presidente da Adeppe, Francisco Rodrigues.

Na coletiva, a entidade anunciou também a realização da campanha ‘Olimpíadas do Medo’. Por meio dela, a Adeppe denuncia que, de janeiro a julho deste ano, ocorreram no estado mais de 2,6 mil homicídios, mais de 1,1 mil assaltos a ônibus, 125 arrombamentos a bancos, mais de 5,1 mil ocorrências de violência contra a mulher e mais de 13 mil roubos ou furtos de veículos.

“O objetivo é mostrar à sociedade os números atualizados da criminalidade em Pernambuco para alertá-la que a segurança está em xeque. Ou o estado acorda e passa a dar prioridade à violencia ou os casos de cirminalidade vão aumentar”, complementou Rodrigues.

A Polícia Civil de Pernambuco ainda não se pronunciou sobre essa decisão dos delegados. (G1)

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