Oito anos depois, único brasileiro curado da raiva humana vive em condições precárias em Floresta

O NE10 visitou o jovem em Floresta. Entre os vários sonhos, está o de possuir uma cadeira de rodas elétrica / Foto: Elvis de Lima/especial para o NE10

 

 

“Medo, medo, eu não tenho não, mas fico com as pernas tremendo quando um morcego chega perto de mim”, diz, com a voz fraca, o jovem Marciano Menezes da Silva, hoje com 23 anos. Morador do município de Floresta, no Sertão de Pernambuco, 437 km distante da capital do Estado, Recife,  Marciano vai celebrar, em 18 de setembro, oito anos de um marco na medicina mundial. Quando tinha apenas 16 anos o rapaz se tornou o primeiro brasileiro a sobreviver à raiva humana, uma doença tida como 100% fatal. Mesmo com os avanços na medicina, o jovem é apenas um dos únicos três casos do mundo de pessoas que foram curadas do vírus.

O adolescente guerreiro, que surpreendeu até mesmo a equipe médica que o tratou no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), no Recife, convive hoje com as sequelas de uma luta árdua pela vida. Pernas e braços atrofiados lhes impedem de ter a mesma vida de antes de ser mordido no tornozelo por um morcego hematófago enquanto dormia na casa de taipa onde morava à época. As dificuldades em falar também não lhe tiram a capacidade de expressar o quanto se sente feliz em ter sobrevivido à raiva.

“O amor que eu tenho pelos meus é muito grande. Eu agradeço muito a eles por terem vencido essa batalha comigo”, ressaltou Marciano que hoje vive sentado numa cadeira de balanço vendo a paisagem do Sertão, assistindo TV, tomando um bom cafezinho e curtindo seu pássaro de estimação. Ele mora com os pais e parte dos sete irmãos numa casa vizinha à de onde foi mordido pelo morcego.

Do NE10

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