Oposição e governo se enfrentam na Alepe por repasses ao hospital ligado à vice-governadora
Na reunião plenária desta quarta-feira (4), a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) foi palco de um intenso embate entre governistas e oposição sobre os repasses estaduais ao Hospital Perpétuo Socorro, em Garanhuns (Agreste Meridional), unidade ligada à família da vice-governadora Priscila Krause (PSD). A instituição está sob averiguação do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS), que apura supostas irregularidades.
O tema foi trazido por Rodrigo Farias (PSB), que destacou que a unidade teria recebido cerca de R$ 100 milhões nos últimos três anos. O parlamentar revelou que, no primeiro ano da atual gestão, houve um aumento de 42% nos repasses ao hospital e que, durante um período de 15 dias em que a vice-governadora esteve à frente do Executivo, foram realizados mais de 25 repasses de recursos públicos à instituição.
Do lado governista, deputados defenderam a legalidade dos repasses. Débora Almeida (PSDB) afirmou que o hospital é credenciado pelo SUS e recebe recursos apenas por serviços efetivamente prestados, disponíveis para consulta no Portal da Transparência. Ela ressaltou que, em gestões anteriores do PSB, a unidade chegou a receber mais recursos do que atualmente e criticou a oposição por tentar politizar a questão.
Izaías Régis (PSDB) destacou que o governo atua apenas como intermediário dos recursos e que todos os repasses estão dentro da lei. A líder do governo, Socorro Pimentel (União), afirmou que a auditoria do DenaSUS é rotina e lamentou que a oposição tente macular a imagem das primeiras mulheres eleitas em Pernambuco.
O embate expôs o clima político tenso na Alepe, com oposição e governo trocando acusações sobre legalidade dos repasses, fiscalização e possíveis favorecimentos, enquanto o hospital continua sendo investigado.
Do Júnior Campos
