Oruam, cachês milionários e pressão sobre prefeituras dominam debate na Alepe

As contratações de artistas para grandes eventos públicos e o conteúdo das apresentações voltaram ao centro das discussões na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Deputados estaduais elevaram o tom ao criticar os cachês milionários pagos por prefeituras e defenderam projetos que restringem a contratação de artistas acusados de fazer apologia ao crime e às drogas, com foco especial no caso do rapper Oruam.

Durante a sessão, além do embate sobre cultura e uso de recursos públicos, os parlamentares também trataram de temas como adoção de recém-nascidos, educação no Agreste, investimentos em infraestrutura, saúde pública, acessibilidade e preservação do patrimônio histórico.

Cachês milionários na mira

O deputado Pastor Cleiton Collins (PP) questionou duramente os valores pagos por prefeituras em eventos como Carnaval, São João e Réveillon, classificando os cachês como incompatíveis com a realidade financeira dos municípios. Segundo dados do Painel de Transparência dos Festejos Juninos nos Municípios, artistas de grande projeção nacional receberam cerca de R$ 1 milhão por apresentação.

Para o parlamentar, esse modelo de contratação coloca serviços essenciais em risco. “É raro ver cantor que quer fazer show pago. Só querem prefeitura, porque em duas horas ganha o que um trabalhador recebe em 30 anos. Isso é um absurdo, os cofres não aguentam, os municípios vão colapsar, vai faltar remédio”, afirmou.

Collins informou que mantém diálogo com a Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) para discutir o tema em audiência pública e defendeu a criação de um marco regulatório que estabeleça limites para cachês pagos com recursos públicos.

Apesar das críticas, o deputado também elogiou a realização do evento The Send Brasil, na Arena Pernambuco, apontando o encontro como exemplo de programação com impacto social e sem custos para os cofres municipais.

Oruam e a disputa sobre o conteúdo dos shows

O deputado Pastor Júnior Tércio (PP) levou ao plenário o caso do rapper Oruam, cuja prisão preventiva foi restabelecida pela Justiça após o descumprimento de medidas cautelares. O artista foi indiciado por sete crimes e acusado de tentar impedir a apreensão de um adolescente procurado por tráfico de drogas e roubo.

Para Tércio, o caso reforça a necessidade de frear a contratação de artistas que, segundo ele, promovem conteúdos nocivos ao público jovem. O parlamentar classificou as músicas de Oruam como uma ameaça aos valores familiares e afirmou que elas fazem apologia ao crime e ao uso de drogas.

Diante da repercussão, o deputado defendeu a tramitação de projetos de lei de sua autoria. Um deles, conhecido como “PL Anti-Oruam”, propõe a proibição da contratação, em eventos abertos ao público infantojuvenil, de artistas que incentivem ou façam apologia ao crime organizado e às drogas ilícitas. Outra proposta busca impedir a realização irregular de bailes de brega funk em espaços públicos.

Do Júnior Campos

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