- Ppostado em
- Por Jornal Desafio
O centenário da emboscada que vitimou oito militares pernambucanos
Neste sábado (14), em meio aos festejos carnavalescos, a memória histórica de Pernambuco impõe uma pausa para recordar um episódio trágico que completa cem anos. Em 14 de fevereiro de 1926, na localidade do Sítio Umburanas, no município de Custódia, um pelotão da Polícia Militar de Pernambuco foi surpreendido por uma emboscada fatal organizada por integrantes da Coluna Prestes.
O ataque teve início após os revoltosos interceptarem uma mensagem telegráfica que informava o deslocamento de uma tropa composta por 137 militares, transportados em cinco caminhões, sob o comando do major João Nunes. A missão era reforçar o policiamento no interior pernambucano, em um período marcado por instabilidade política e conflitos armados no país.
Com estratégia ardilosa, os tenentistas deixaram um chapéu na estrada, utilizado como isca para chamar a atenção dos militares. Ao parar o comboio para recolher o objeto, a tropa foi surpreendida por intensa fuzilaria disparada das cabeceiras dos serrotes que margeavam a via. Mesmo diante do ataque inesperado, os policiais ainda reagiram e tentaram desalojar os insurgentes, trocando tiros em campo aberto.
Sem sucesso na resistência, oito soldados tombaram mortalmente: Isídio José de Oliveira, Castor Pereira da Costa, Ercias Petronilo Fonseca, Manoel Bernardino Fonseca, José Sebastião Bezerra, Pedro Cosme Alexandrino, Antônio Cassemiro Ferreira e Luiz José Lima Mendes. Os companheiros de farda sepultaram as vítimas no próprio local do combate, enquanto os atacantes — sob o comando dos tenentes João Alberto, Siqueira Campos e Cordeiro de Farias — seguiram em retirada, incendiando quatro caminhões e recolhendo armas e munições.
Décadas depois, nos anos 1960, por iniciativa de um oficial pernambucano, foi erguido no local um monumento fúnebre em homenagem aos soldados mortos na emboscada. Recentemente, o espaço foi restaurado por militares do Batalhão Especializado de Policiamento do Interior (BEPI), unidade da Polícia Militar com sede em Custódia.
Ao completar um século, o episódio permanece como marco histórico da resistência e do sacrifício de homens que, no cumprimento do dever, perderam a vida em um dos momentos mais conturbados da história republicana brasileira. Recordar o centenário da emboscada é também reafirmar a importância da memória como instrumento de respeito e reflexão sobre o passado.
