Operação da Polícia Federal contra família Coelho redesenha o tabuleiro de 2026 e pode tirar Miguel do jogo pelo Senado em Pernambuco
A operação deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (25), tendo como alvos nomes centrais da família Coelho, não é apenas um fato jurídico. É, sobretudo, um terremoto político com efeitos diretos na montagem das chapas majoritárias em Pernambuco para 2026.
Entre os citados na ação estão o ex-senador Fernando Bezerra Coelho, o deputado federal Fernando Coelho Filho e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho; este último colocado como pré-candidato ao Senado e peça estratégica nas articulações do campo oposicionista.
A partir de agora, o tabuleiro muda.
Até ontem, Miguel Coelho transitava com desenvoltura nos bastidores, dialogando com diferentes forças políticas e se posicionando como alternativa viável para compor uma chapa majoritária. Havia movimentos de aproximação com o prefeito do Recife, João Campos, numa construção que misturava pragmatismo eleitoral e cálculo de sobrevivência política. No entanto, depois da operação da Polícia Federal, o cenário se impõe com outra lógica: qual liderança assumirá o ônus político de carregar em sua chapa um nome sob investigação?
Em política, percepção muitas vezes pesa mais que sentença.
Ainda que a defesa sustente ausência de acesso integral à decisão judicial, o dano político é imediato. Pré-campanha é ambiente de construção de imagem, não de gestão de crise. A presença de um candidato vinculado a uma operação federal cria desgaste preventivo e ninguém que esteja liderando pesquisas ou organizando uma frente ampla quer começar a corrida explicando manchetes.
Nesse contexto, é possível afirmar que a viabilidade de Miguel Coelho numa chapa majoritária sofre um abalo profundo. Não se trata apenas de risco jurídico, mas de cálculo eleitoral. Adversários exploram, aliados recuam, e o espaço político se estreita.
E é aí que o rearranjo começa.
Sem Miguel como peça central, abre-se caminho para nomes que tinham nele um obstáculo direto. O ministro Silvio Costa Filho, que trabalha sua consolidação no cenário estadual, passa a ter menos resistência interna na disputa por espaço. O mesmo vale para Marília Arraes, que também enxergava em Miguel um concorrente competitivo na composição de alianças e na disputa por protagonismo.
Além disso, há um fator ideológico que pesava silenciosamente: o histórico da família Coelho no governo de Jair Bolsonaro. Fernando Bezerra Coelho foi líder do governo no Senado, e Fernando Coelho Filho ocupou posição estratégica na Esplanada em governos anteriores, consolidando uma identidade política associada ao campo mais à direita. Para setores que buscam uma frente menos vinculada ao bolsonarismo, essa marca era um complicador.
Para João Campos, por exemplo, a presença de Miguel numa eventual chapa sempre carregou uma contradição narrativa. O prefeito constrói um discurso de centro-progressista, dialogando com o eleitorado lulista sem romper pontes com o centro. Ter ao lado um nome identificado com o ciclo bolsonarista exigiria um malabarismo político delicado.
Com a operação, esse dilema pode simplesmente deixar de existir.
O sentimento nos bastidores é de que o xadrez ficou mais simples para alguns e mais complexo para outros. Se antes Miguel Coelho era uma variável imprevisível, jovem, competitivo, com recall no Sertão e trânsito nacional, agora ele passa a ser uma incógnita sob pressão.
Em política, tempo é tudo. E a pré-campanha não perdoa fragilidades.
O que se desenha, portanto, é um novo momento na disputa pernambucana. A operação da Polícia Federal não encerra trajetórias, mas altera prioridades. Redefine alianças, recalcula riscos e reorganiza a fila dos pretendentes ao Senado.
Se até ontem Miguel era um ativo estratégico, hoje ele se torna um fator de cautela.
Do Júnior Campos
