O “Xadrez de Março”: Federação União-PP e a queda de braço pelo Senado em Pernambuco
A política de Pernambuco entrou em ebulição nesta semana. Com a homologação da Federação União Progressista (PP e União Brasil) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o tabuleiro para 2026 foi reiniciado. O que antes eram especulações, agora é uma guerra de posições que impacta diretamente o Palácio do Campo das Princesas e a governadora Raquel Lyra.
Eduardo da Fonte: O comandante do bloco
O deputado federal Eduardo da Fonte (PP) consolidou sua força. Como presidente da nova federação em Pernambuco, ele detém as chaves do maior fundo eleitoral e tempo de TV do estado. Eduardo já deixou claro o seu destino: o Senado na chapa de Raquel Lyra.
Contando com o aval de Ciro Nogueira e a fidelidade de uma bancada gigante na Alepe, “Dudu” é hoje o aliado que Raquel não pode se dar ao luxo de perder. Sua estratégia é blindar as chapas proporcionais e garantir que o PP seja o pilar da reeleição da governadora.
Miguel Coelho: O dilema e a pressão
Do outro lado da mesa, Miguel Coelho (União Brasil) vive um momento de definição. Embora tenha mantido diálogos com a governadora e até acenado para uma vaga no Senado em sua chapa, Miguel enfrenta um “veto” interno do PP, que reivindica a primazia da vaga majoritária.
O ex-prefeito de Petrolina busca viabilizar seu nome para o Senado a qualquer custo, mas agora precisa jogar dentro de uma federação onde Eduardo da Fonte dá as cartas. Além disso, as recentes operações da PF envolvendo seu grupo político trouxeram um componente de desgaste que a oposição tenta explorar.
O Impacto para Raquel Lyra
Para a governadora, a federação é uma faca de dois gumes: Se conseguir manter PP e UB unidos sob seu guarda-chuva, Raquel terá uma estrutura de campanha imbatível e maioria folgada no legislativo, mas ao mesmo tempo, ela terá que mediar a rivalidade entre Eduardo e Miguel. A vaga de senador é apenas uma, e os dois querem o mesmo lugar ao sol.
O que ficar de olho
A janela partidária, que se encerra em abril, será o termômetro. A movimentação de prefeitos do Sertão e do Agreste em direção a um dos dois polos (Eduardo ou Miguel) dirá quem saiu vencendo esta primeira rodada do “superbloco”.
