Comissão fala em anulação da eleição do Conselho Rural de Serra Talhada; Eliane Souza denuncia perseguição e exoneração
O cenário político de Serra Talhada ganhou novos e tensos capítulos nesta quinta-feira (21). A Comissão Eleitoral responsável pelo processo de escolha da nova diretoria do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS) decidiu anular o pleito realizado na última segunda-feira (18), que havia resultado em uma dura derrota para o grupo da prefeita Márcia Conrado (PT).
Na ocasião, a Chapa 1, encabeçada por Eliane Souza e ligada ao grupo do Avante (dos Oliveiras), venceu a disputa por 53 votos. A vitória quebrou a hegemonia do Palácio Municipal, mesmo diante de uma forte mobilização que levou secretários de primeiro escalão ao local de votação.
A anulação e os argumentos da comissão
A decisão de anular o pleito atende a uma impugnação apresentada pela Chapa 2, de linha governista, batizada de “Novos Tempos”. Segundo o parecer técnico-jurídico da Comissão Eleitoral, foram identificadas irregularidades procedimentais, tais como:
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Falhas na divulgação da lista definitiva de entidades aptas a votar;
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Inclusão posterior de votantes sem a devida publicidade formal;
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Falta de conferência rigorosa da representação das entidades e problemas operacionais.
Embora tenha destacado que não houve comprovação de fraude ou adulteração deliberada nos votos, a comissão determinou a realização de uma nova eleição no prazo máximo de 45 dias. Além disso, foi deliberada a criação de uma nova Comissão Eleitoral, que deverá contar com no mínimo sete membros.
Eliane Souza reage: “Fomos impugnados sem direito de defesa”
Procurada pelo Portal Júnior Campos, Eliane Souza, soltou o verbo contra a decisão da comissão. Ela defendeu a legitimidade do resultado e afirmou que o rito legal foi atropelado para favorecer o grupo derrotado nas urnas.
“O processo se deu de forma totalmente legalizada e democrática. Os 53 votos que a Chapa 1 obteve foram conscientes, de pessoas que conhecem o nosso trabalho. A Chapa 2 não se conformou e apresentou uma carta com o que não concordava. Pelo rito normal, nós deveríamos apresentar um recurso para depois a comissão decidir. Só que a comissão recebeu a carta deles e nem nos apresentou; foi direto e impugnou o processo. Isso está totalmente errado”, desabafou Eliane.
A líder comunitária também contestou as determinações da comissão para o novo pleito, alegando que regras como o prazo de 45 dias e o número de integrantes da junta eleitoral só poderiam ser referendadas pelo voto dos associados. “Isso tudo, para ser decidido, teria que passar por uma assembleia do conselho, juntamente com o presidente. Nada vem decidido de cima para baixo assim. Nós não vamos ficar quietas, vamos recorrer.”
Denúncia grave de perseguição política e exoneração
Em um forte desabafo enviado ao portal, Eliane Souza revelou que os bastidores da disputa foram marcados por pressões e perseguições que extrapolaram o ambiente do conselho. Ela afirmou ter sido exonerada de seu emprego por se recusar a desistir da candidatura.
“Infelizmente, o que se vê é a política onde as pessoas acham que podem comandar e dominar todo mundo. Tivemos muitas situações de perseguição, ligações e pressões vindas de pessoas ligadas à prefeita. Para vocês terem uma ideia, eu fui exonerada do meu trabalho porque decidi enfrentar e ser cabeça de chapa. Me procuraram para eu desistir, e eu disse que não ia”, revelou.
Eliane detalhou que ocupava uma vaga conquistada por meio de processo seletivo e que o desligamento ocorreu de forma repentina, às vésperas do pleito. “Eu não tinha cargo comissionado. Era um cargo onde fui contratada por processo seletivo. Quatro ou cinco dias antes da eleição, fui exonerada à noite. Recebi o telefonema em casa dizendo que não era mais para ir trabalhar.”
A presidente da Chapa 1 lamentou o rumo que a disputa tomou e garantiu que o bloco vai buscar a reparação jurídica. “Nós queríamos trabalhar com todos e para todos, independente de bandeira política, do lado A, B ou C, mantendo o conselho autônomo. As coisas estão tomando outro rumo e a gente lamenta muito, mas vamos lutar até o fim”, concluiu. O espaço do portal segue aberto para manifestações da gestão municipal e da Comissão Eleitoral.
