Após chamar vereador de ‘doido’ e ‘moco’, Giliard é acusado de omitir informações sobre projeto de R$ 1,2 milhão: “Vereador inimigo do povo”

A sessão que aprovou o Projeto de Lei nº 023/2026, autorizando a abertura de crédito adicional especial de R$ 1,2 milhão, continua produzindo desdobramentos políticos dentro e fora da Câmara Municipal de Serra Talhada.

O que começou como uma discussão sobre a destinação de recursos públicos transformou-se em mais um capítulo da escalada de tensão entre governo e oposição, com troca de acusações, ataques pessoais e uma disputa narrativa que agora migrou para as redes sociais.

Após a aprovação da matéria por 10 votos a 3, o líder do governo, vereador Giliard Mendes (PT), divulgou vídeo afirmando que os parlamentares da oposição votaram contra os agricultores ao rejeitarem o projeto.

“Três vereadores da oposição de Serra Talhada votaram contra o pagamento do Seguro Safra, votaram contra que você, agricultor que perdeu sua plantação de milho e de feijão, receba o Garantia Safra”, provocou.

A estratégia, porém, encontrou forte reação do vereador China Menezes, um dos três parlamentares apontados por Giliard. Em vídeo publicado nas redes sociais, China sustentou que Giliard “mente e omite” informações sobre o real conteúdo do projeto e tenta reduzir o debate apenas ao Garantia Safra.

Segundo o oposicionista, a principal finalidade da matéria era autorizar a abertura de crédito para o pagamento de sentenças judiciais do município, no valor de R$ 1 milhão, enquanto os R$ 200 mil destinados ao Garantia Safra teriam sido utilizados pelo governo como estratégia para garantir a aprovação da proposta na Câmara.

“Ele mente e omite descaradamente. O projeto fala de R$ 1 milhão e 200 mil. Um milhão de reais para pagar sentenças judiciais. Aí, por tabela, colocaram os R$ 200 mil. A finalidade do projeto era aprovar R$ 1 milhão para sentenças e não garantir o Garantia Safra”, disparou.

China ainda sustentou que o Garantia Safra já possui previsão orçamentária, envolvendo recursos da União, do Estado e do Município, e que o Executivo poderia ter encaminhado matérias separadas para análise da Câmara, evitando que os dois temas fossem discutidos conjuntamente.

CLIMA DE ACIRRAMENTO E DESRESPEITO

O episódio também ocorre em meio a um ambiente cada vez mais hostil dentro da Câmara de Serra Talhada.

Durante a própria sessão, em outra discussão envolvendo pedidos de informações sobre parquinhos escolares, Giliard Mendes elevou o tom ao rebater questionamentos do líder da oposição, Lindomar Diniz.

O governista chegou a utilizar expressões como “doido” e “moco” ao responder e se referir ao colega parlamentar, atitude que repercutiu nos bastidores da Casa e reforçou a percepção de que o debate político tem ultrapassado o campo das divergências administrativas para atingir o plano pessoal.

“O vereador da oposição fez outra fala novamente em relação aos equipamentos que foram comprados, os parques. Eu acho que ele ou está moco ou está se fazendo de doido, porque na semana seguinte ao questionamento que ele fez eu trouxe as informações sobre onde estavam os parques”, afirmou Giliard.

Do Júnior Campos

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