Governo explica por que reforço da PM ficou no Grande Recife e não chegou ao Sertão
A distribuição dos novos soldados da Polícia Militar de Pernambuco, conhecidos popularmente como “laranjinhas”, voltou ao centro do debate, principalmente entre moradores e lideranças do Sertão, que cobram o reforço do efetivo na região. Em entrevista ao programa Folha Política, da Rádio Folha FM, apresentado por Jota Batista e pela jornalista Betânia Santana, o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, afirmou que a decisão de concentrar os novos policiais no Recife e na Região Metropolitana foi baseada em critérios técnicos, e não políticos.
Segundo o secretário, a Grande Recife concentra mais da metade da criminalidade registrada em Pernambuco, justificando a estratégia adotada pelo Governo do Estado.
“A Grande Recife registra mais de 50%, 55% dos crimes que são computados no Estado. Então, quando a gente tomou a decisão de focar, de lotar os novos soldados aqui na capital e na Região Metropolitana, foi com essa preocupação. E foi uma decisão técnica.”
Alessandro Carvalho rebateu as críticas de que a medida teria motivação política e destacou os resultados obtidos pela política de segurança pública.
“Este ano nós temos 13% de redução dos homicídios no Estado e 35% de redução dos roubos no Estado. O foco era aqui.”
O secretário também apresentou números da capital, afirmando que o Recife acumula redução de 22% nos homicídios no primeiro semestre deste ano, incluindo os homicídios de mulheres.
Ao comentar as cobranças por um maior reforço policial no interior, Alessandro Carvalho afirmou compreender essa expectativa. Segundo ele, a maioria dos aprovados nos concursos da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros é formada por candidatos do interior do Estado, que têm o desejo natural de retornar às suas cidades de origem após a formação.
“O que acontece especificamente com os soldados da Polícia Militar e dos Bombeiros é que a maioria deles são do interior. Então, o que eles querem mesmo é retornar para o interior.”
A declaração reforça que existe uma demanda legítima dos próprios policiais para servir em suas regiões de origem. No entanto, o secretário explicou que, neste primeiro momento, a prioridade do Governo de Pernambuco foi recompor o efetivo da capital e da Região Metropolitana, onde se concentra a maior parte dos crimes registrados no Estado.
Alessandro Carvalho revelou ainda que, ao assumir a Secretaria de Defesa Social, em setembro de 2023, solicitou um levantamento comparando o efetivo da Polícia Militar com o existente em 2013, ano que, até então, era considerado a principal referência nos indicadores da segurança pública em Pernambuco.
Segundo ele, o diagnóstico apontou um déficit de aproximadamente 2.200 policiais militares na capital e na Região Metropolitana, além de cerca de 800 na Zona da Mata e Agreste e outros 500 no Sertão.
“O concurso era para 2.400 soldados e a gente dobrou para 4.800 porque tinha essa necessidade.”
Do Júnior Campos
