Pátio da Feira vira território do medo em Serra Talhada, e permissionários cobram reação da Prefeitura, vereadores e forças de segurança

O Pátio da Feira Livre de Serra Talhada virou motivo de preocupação para quem trabalha diariamente no local. Em entrevista ao Portal Júnior Campos, três permissionários: Charles, Edilson e Carlos, conhecido como Carlinhos, relataram uma rotina marcada por furtos, insegurança, redução no movimento e falta de respostas efetivas do poder público municipal.

Os comerciantes afirmam que os problemas se concentram principalmente nos períodos em que as barracas são fechadas e defendem uma atuação mais integrada entre a Prefeitura, a Câmara Municipal e as forças de segurança.

Charles: “Quem vai ser furtado amanhã?”

Charles afirma que já foi vítima de furtos quatro vezes e diz que nunca recebeu ressarcimento pelos prejuízos. Segundo ele, durante o dia o espaço conta com dois porteiros e, a partir das 18h, dois guardas municipais assumem a segurança. Para o permissionário, o efetivo é insuficiente para uma área do tamanho do Pátio da Feira.

“Todo dia aqui aparece um, dois. Todo mundo aqui está revoltado. A gente está pensando: quem é que vai ser furtado amanhã?”, desabafou.

Charles, que é sargento aposentado, também relatou um dos episódios mais recentes. Segundo ele, um homem teria entrado no espaço por um ponto considerado vulnerável, levado inicialmente um botijão de gás e retornado posteriormente para pegar pratos, talheres e panelas.

O comerciante defende que a Prefeitura reforce a segurança e que haja uma atuação conjunta com a Polícia Militar.

“Se a polícia viesse todo dia, afastava eles daqui. Pelo menos um efetivo ali já afastava eles”, afirmou.

Charles também cobrou uma mobilização dos vereadores para solicitar providências aos órgãos de segurança. Segundo ele, chegou a procurar o Secretário de Desenvolvimento Elizandro Nogueira, mas afirma que a conversa não resultou em uma solução para os problemas enfrentados pelos permissionários.

“Gente boa, mas não resolveu nada”, disse.

Edilson: “Ninguém dá atenção”

Edilson também aponta a segurança como uma das principais dificuldades enfrentadas pelos comerciantes. Segundo ele, os furtos acontecem especialmente no período da tarde e da noite, quando as barracas fecham e o fluxo de pessoas diminui.

“Aqui está prestando demais segurança, principalmente à tarde e à noite. Eu acho que esses furtos estão acontecendo mais à tarde, quando todo mundo fecha as barracas”, relatou.

Edilson afirma ainda que existe um problema relacionado ao controle de quem entra e sai do espaço.

“Fica um portão ali aberto, sem nenhum guarda lá no portão, e todo mundo entrando e saindo, sem ninguém dar atenção a quem entra e quem sai”, afirmou.

Para ele, a Prefeitura deveria reunir os permissionários para discutir medidas concretas.

“Poderia estar fazendo reunião com a gente, ver aí como é que para isso e organizar mais esse negócio aí”, disse.

O comerciante também relata que a insegurança vem afetando o movimento e contribuindo para o esvaziamento de algumas áreas.

Carlinhos: “A Prefeitura tem que botar mais guarda aqui”

Carlos, conhecido como Carlinhos, também cobra reforço na segurança. Segundo ele, atualmente seriam apenas dois guardas durante a noite para atender uma área extensa.

“Só tem dois guardas a noite toda para uma parte desse tamanho. É muito pouco, eles não conseguem dar conta”, afirmou. Apesar de não ter sofrido furto diretamente em sua banca, Carlinhos diz que colegas já tiveram prejuízos.

Para ele, a responsabilidade não deve ser colocada exclusivamente sobre os guardas, mas sobre a estrutura disponibilizada para o trabalho.

“Eu não vejo que são culpados, porque não dão conta. A Prefeitura tem que botar mais guarda aqui”, declarou.

Carlinhos também defende que o poder público invista na estrutura do Pátio da Feira para recuperar o movimento. Segundo ele, existem barracas desocupadas justamente porque o fluxo de consumidores diminuiu.

“Se tivesse movimento aqui dentro, se os governos investissem alguma coisa aqui dentro, o pessoal estava tudo aqui”, afirmou.

Cobrança chega à Prefeitura, Câmara e forças de segurança

Os relatos de Charles, Edilson e Carlinhos convergem em uma cobrança: os permissionários querem uma resposta articulada do poder público.

Eles defendem que a Prefeitura convoque uma reunião com os comerciantes, que os vereadores atuem junto aos órgãos competentes e que Guarda Municipal e Polícia Militar discutam uma estratégia específica para o local.

Para os permissionários, não basta reforçar a segurança apenas depois que um furto acontece. A reivindicação é por prevenção e presença permanente.

“Cuide de nós também”, pede Carlinhos

Ao final da entrevista, Carlinhos deixou um apelo à prefeita de Serra Talhada. “Minha prefeita, dê um pouquinho de olhar para nós. Venha aqui olhar nossa situação, cuide de nós também. Nós somos filhos de Serra Talhada também. Conto com você.”

Os permissionários afirmam que o Pátio da Feira continua sendo um importante espaço de comércio e circulação em Serra Talhada, mas precisa de atenção do poder público para recuperar a segurança, o movimento e as condições de trabalho.

 

DO Júnior Campos

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