Baixa na base de Márcia: ex-secretário rompe com a prefeita, descarta Breno e relata “acordos não cumpridos” e falta de diálogo
A base política da prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado (PT), registra mais uma baixa. Em entrevista exclusiva ao Portal Júnior Campos, na tarde desta quarta-feira (12), o ex-secretário de Relações Institucionais Toninho Tenório anunciou seu rompimento com o grupo governista e afirmou que, neste momento, não pretende acompanhar a pré-candidatura de Breno Araújo, marido da prefeita.
Toninho, que foi suplente de vereador nas eleições de 2020 com 752 votos, justificou a decisão externando um processo de distanciamento político e falta de diálogo com a liderança do grupo.
Segundo ele, o modelo de liderança que conheceu ao longo da trajetória política, citando como referências o saudoso Geni Pereira e o ex-prefeito Carlos Evandro, era baseado na proximidade entre liderança e base.
“A liderança da base tinha uma proximidade com os liderados, com todo o seu grupo. Estava sempre ali ouvindo, porque a ótica da liderança se limita até um certo ponto”, afirmou.
Toninho disse que vinha enfrentando dificuldades para ter acesso à prefeita Márcia Conrado e relatou que teria tentado contato algumas vezes, além de mencionar acordos que, segundo ele, não teriam sido cumpridos.
“Eu já vinha enfrentando algumas dificuldades para ter esse acesso, até a prefeita. Tentei contato algumas vezes, alguns acordos também que não foram cumpridos da parte deles”, declarou.
O ex-secretário afirmou ainda que a situação não seria recente. De acordo com seu relato, depois das eleições de 2020 ele teria se afastado da política justamente por ter se sentido deixado de lado. Ao retornar ao grupo em 2024, segundo ele, esperava que a relação fosse diferente, mas voltou a enfrentar dificuldades.
“Eu senti que a gente foi meio que aquela cotovelada de canto, deixado de canto, e a gente não era mais ouvido. Mandava mensagem e não respondia, ligava e ninguém atendia”, relatou.
“NÃO FAZ SENTIDO ACOMPANHAR O CANDIDATO”
Questionado especificamente sobre o apoio à candidatura de Breno Araújo (PSB), Toninho foi direto ao afirmar que sua saída da base também significa o afastamento político do projeto eleitoral do marido da prefeita.
“Não faz sentido, uma vez que se trata de Márcia e Breno, se trata de uma pessoa só nesse sentido político. Para mim não faz sentido acompanhar no grupo nesse perfil, como eu falei, não ser ouvido, não ser atendido, só conversar se for por intermédio de outras pessoas”, afirmou.
Apesar do rompimento, Toninho fez questão de separar a divergência política das relações pessoais e desejou sorte a Breno.
“Desejo toda a sorte do mundo, que Deus o abençoe e que abençoe sua trajetória e que dê tudo certo, mas infelizmente a gente não tem como continuar”, declarou.
RELAÇÃO COM WALDIR TENÓRIO
Outro ponto abordado na entrevista foi a relação com seu irmão, Waldir Tenório, que permanece ligado ao grupo político.
Toninho afirmou que existe atualmente uma divergência política entre os dois, mas ressaltou que a relação familiar permanece preservada.
“A relação política entre eu e Waldir, confesso que houve certo distanciamento. Acho que também porque a gente diverge em algumas coisas. Isso é normal, é democracia. Cada um tem sua visão de mundo e de política”, afirmou.
Ele também explicou por que decidiu não comunicar pessoalmente ao irmão a decisão de deixar o grupo.
“Eu decidi não comunicar a ele porque acredito que cada um tem a oportunidade de construir a sua história”, disse.
Segundo Toninho, nas eleições anteriores, apesar de Waldir tomar suas próprias decisões políticas, ele afirma que era quem estava diretamente na execução do trabalho eleitoral na ponta.
“PRECISAMOS SER OUVIDOS”
Toninho também destacou que sua principal reclamação não seria necessariamente a divergência política, mas a ausência de diálogo.
“Se a gente tivesse pelo menos sido escutado, se a gente conseguisse contato para resolver as demandas, conseguisse contato para dialogar sobre a dificuldade que a população enfrenta no dia a dia”, afirmou.
O ex-secretário disse que agora pretende avaliar o cenário político antes de anunciar novos caminhos.
“Para a gente não se machucar de novo”, justificou.
Ele afirmou ainda que pretende manter uma postura de trabalho voltada para a população e que sua decisão não representa uma retirada da política.
“Vou fazer de tudo para continuar ajudando, continuar trabalhando, sempre com muita serenidade, pé no chão e olhando para frente, que é o que importa”, declarou.
MAIS UMA BAIXA NO CAMPO GOVERNISTA
A saída de Toninho Tenório amplia o histórico de movimentos e rearranjos políticos em torno da gestão Márcia Conrado. O episódio ganha peso adicional porque Toninho não era apenas um apoiador eventual: ele integrou a estrutura política e administrativa do grupo e, em 2024, chegou a ser apontado como um dos nomes cotados para assumir uma secretaria na gestão municipal.
Agora, ao anunciar o rompimento, ele deixa também uma mensagem política clara: não pretende acompanhar o projeto eleitoral de Breno Araújo neste momento.
O próprio Toninho, entretanto, evita antecipar para qual grupo ou candidato deverá caminhar. Segundo ele, o cenário ainda está sendo avaliado.
Do Júnior Campos
