Após quatro meses sem titular e cobrança de Vera Gama, Márcia deve nomear secretária da Mulher; “não seja para tirar foto”, alerta ex-secretária

Após passar cerca de quatro meses sem uma secretária titular, a Secretaria da Mulher de Serra Talhada deverá voltar a ter oficialmente uma comandante. A prefeita Márcia Conrado deve nomear, nesta terça-feira (1º de setembro), a enfermeira, especialista em Saúde da Mulher e Saúde Pública, Aniely Inácio como nova titular da pasta.

A informação sobre a nomeação foi antecipada pelo o radialista Francys Maya, após a participação da ex-secretária da Mulher, Vera Gama, no ElesPOD, onde ela fez uma cobrança pública pela retomada da titularidade da secretaria.

Vera deixou o cargo em 10 de abril de 2026 e, durante a entrevista, questionou a decisão de manter a estrutura funcionando sem uma secretária à frente.

A ex-secretária foi provocada sobre uma justificativa da prefeita Márcia Conrado de que a equipe existente estaria dando continuidade às ações e, por isso, não haveria necessidade imediata de nomear uma nova titular.

Vera discordou.

“Porque se ela [Márcia]… ela em 2021, 23, ela teve… ela inseriu no município uma Secretaria da Mulher, né? Porque tem que ter uma secretária. Pra trabalhar a política pública, ela tem que ter alguém que faça a ponte com outros órgãos, né? É necessária, é importante. Então, assim, eu desconheço essa parte aí, porque toda secretaria tem um secretário. Você vê que a de Esporte passou uns tempos aí, mas voltou o secretário. Então, a Secretaria da Mulher é necessária, se faz necessária, sim. Agora tem que ser uma pessoa que entenda da política. Tem que ser uma pessoa que não seja um chefe, seja um líder, pra liderar a sua equipe, pra dividir as ações e pra você não tirar foto, porque a política da mulher é uma construção.”

Para ela, uma secretaria precisa ter uma liderança responsável não apenas por coordenar a equipe, mas também por fazer articulações com outras instituições e buscar novos investimentos e políticas públicas.

“Ela tem que ter alguém que faça a ponte com outros órgãos. É necessário e é importante.”

Vera também afirmou que a pessoa responsável pela pasta precisa ter disposição para sair do gabinete e buscar resultados.

“Para a mulher assumir a Secretaria da Mulher, ela tem que ter pulso e coragem. Ela tem que sair do birô e buscar resultado positivo.”

“Esse discurso já não cabe mais”

Durante a entrevista, Vera afirmou considerar contraditória a manutenção de uma Secretaria da Mulher sem uma secretária titular, especialmente porque a própria gestão municipal criou a estrutura específica para conduzir essa política.

“Se ela em 2021, 2023 inseriu no município uma Secretaria da Mulher, é porque tem uma secretária para trabalhar a política pública.”

A ex-secretária também defendeu que a pasta tenha atuação permanente na articulação com Polícia Civil, Polícia Militar, Governo do Estado e demais órgãos envolvidos na proteção das mulheres.

“Esse discurso já não cabe mais. Esse discurso está um pouco vazio há muito tempo.”

Ranking do TCE aumentou o debate

A cobrança de Vera ocorreu justamente após a divulgação do novo ranking do Tribunal de Contas de Pernambuco sobre políticas municipais de proteção às mulheres. Serra Talhada foi classificada no nível intermediário do Índice de Comprometimento Municipal de Proteção à Mulher (ICM-Proteção à Mulher).

Vera comemorou o resultado, atribuindo o desempenho ao trabalho realizado em 2025 pela equipe da Secretaria da Mulher em conjunto com outros órgãos, mas também destacou que a classificação representa um alerta.

“Foi um resultado muito positivo. Mas é um alerta também, porque ficou no intermediário, não ficou no top.”

Na avaliação dela, Serra Talhada precisa ampliar as políticas públicas voltadas às mulheres, especialmente nas áreas de empreendedorismo, participação feminina nos espaços de poder e captação de recursos.

Os desafios da nova secretária

A retomada da titularidade da Secretaria da Mulher acontece em um cenário que ainda exige atenção no combate à violência contra as mulheres em Serra Talhada. Até o mês de agosto, 406 vítimas já haviam sido registradas. O número representa uma média de aproximadamente duas ocorrências por dia.

Entre os registros mais frequentes estão violência doméstica e lesão corporal. A faixa etária de 25 a 29 anos concentra o maior número de vítimas, com 70 registros.

Os números dão uma dimensão do tamanho do desafio que estará sobre a mesa da nova titular da pasta: fortalecer a rede de proteção, ampliar a prevenção, garantir atendimento às vítimas e trabalhar também na conscientização e enfrentamento da violência dentro das famílias.

Durante a entrevista, Vera defendeu justamente uma atuação integrada entre Secretaria da Mulher, Polícia Civil, Polícia Militar, Judiciário e demais órgãos da rede. Ela também lembrou que, durante sua gestão, houve ações voltadas não apenas às vítimas, mas também aos próprios agressores, com participação do Judiciário e da equipe jurídica.

Para Vera, combater a violência exige também trabalhar a cultura do respeito desde a família e as escolas.

“Tudo começa pelo respeito dentro de casa.”

Secretaria acumulou conquistas

Durante a entrevista, Vera fez questão de destacar que os resultados alcançados enquanto esteve à frente da Secretaria foram fruto de um trabalho coletivo. Entre as ações citadas estão a captação de aproximadamente R$ 212 mil em equipamentos, a conquista de veículos para fortalecer a estrutura da política municipal para as mulheres e o Prêmio Prefeitura Amiga da Mulher.

“Eu estava à frente do trabalho, mas faço questão de dizer: ninguém trabalha sozinha.”

Para Vera, a política pública precisa ter continuidade independentemente de quem esteja ocupando o cargo.

“A política pública para as mulheres não pode passar, não pode fechar simplesmente uma secretaria e dizer: ‘Tá tudo bem’.”

Vera continua atuando fora do cargo

Mesmo após deixar a Secretaria, Vera afirmou que continua sendo procurada por mulheres de Serra Talhada que precisam de orientação. Segundo ela, os contatos acontecem inclusive fora do horário convencional e, em alguns casos, durante a madrugada. A ex-secretária afirmou ainda que continua participando de ações, palestras e atividades relacionadas à defesa das mulheres.

“Eu não preciso de um cargo específico para ser Vera Gama.”

Agora, com a provável nomeação de Aniele Inácio, a Secretaria da Mulher volta a ter uma titular depois de quatro meses. A mudança acontece justamente após Vera, durante o ElesPOD, defender publicamente que a pasta precisava novamente de uma liderança específica para conduzir e articular as políticas públicas voltadas às mulheres de Serra Talhada.

 

Do Júnior Campos

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