Enquanto Afogados comemora duas ambulâncias, Serra Talhada revive polêmica por ter recusado UTI móvel
A nova etapa de entrega de ambulâncias realizada pelo Governo de Pernambuco, nesta quinta-feira (3), acabou trazendo de volta uma polêmica que ainda repercute em Serra Talhada: a decisão da prefeita Márcia Conrad de recusar uma ambulância de suporte avançado, equipada como UTI móvel, disponibilizada pelo Estado.
Durante a solenidade, nesta quinta-feira (04), a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti, destacou que o Governo de Pernambuco entregou mais 43 ambulâncias e reforçou que a estratégia é ampliar a estrutura de atendimento nos municípios.
“Mas a gente não deixa ninguém para trás. Vão receber ambulâncias os 184 municípios do estado de Pernambuco”, afirmou a secretária.
Nesta nova etapa, foram entregues 43 veículos. Segundo informações divulgadas pela Secretaria Estadual de Saúde, 28 são destinados à assistência materno-infantil e outras 15 unidades possuem estrutura de terapia intensiva, incluindo equipamentos para o transporte de pacientes graves e atendimento neonatal. Com a nova etapa, o Estado chega a 142 ambulâncias disponibilizadas, dentro de uma previsão de 275 veículos ao final do programa.
E é justamente nesse cenário que Serra Talhada volta a chamar atenção.
Serra Talhada ficou com uma, mas abriu mão da UTI móvel
A Prefeitura de Serra Talhada aceitou a ambulância vinculada ao Colo de Mãe, programa estadual voltado à assistência materno-infantil, mas decidiu não receber a ambulância Tipo D, destinada ao suporte avançado.
A própria prefeita Márcia Conrado confirmou publicamente a decisão, assim como a Secretária Municipal de Saúde, Lisbeth Rosa. Segundo a gestora, a ambulância ficaria parada porque o município não possui hospital municipal e, na avaliação apresentada pela Prefeitura, o transporte intermunicipal de pacientes em situações de urgência e emergência estaria sob responsabilidade da rede estadual.
“Recusamos sim, porque essa ambulância para o município de Serra Talhada ficaria parada”, afirmou Márcia em vídeo publicado nas redes sociais.
O município também apresentou justificativas relacionadas aos custos para manter equipe técnica e estrutura operacional necessárias ao funcionamento do veículo.
A decisão, entretanto, provocou críticas de setores da oposição. O deputado estadual Luciano Duque classificou a recusa como uma oportunidade perdida para ampliar a assistência à população de Serra Talhada.
Afogados segue no caminho contrário
O contraste com Afogados da Ingazeira tornou-se um dos principais elementos da discussão.
O município, que também não possui hospital municipal, recebeu uma ambulância UTI móvel e comemorou a conquista para reforçar a estrutura de atendimento à população. A chegada do equipamento já havia sido destacada justamente em meio à repercussão da recusa de Serra Talhada.
E agora, na nova etapa de entregas, Afogados aparece novamente no debate, com duas ambulâncias recebidas pelo município, enquanto Serra Talhada ficou com uma unidade do programa materno-infantil.
O episódio chama atenção também porque a posição política dos municípios não explica sozinha o comportamento diante das ambulâncias. Afogados está em um campo político diferente do Governo Raquel Lyra, mas recebeu o equipamento e comemorou a entrega.
Uma ferida que continua aberta
O debate, portanto, está longe de terminar. Serra Talhada recebeu uma ambulância para o atendimento materno-infantil, mas abriu mão de outra considerada de maior complexidade. Afogados da Ingazeira, por sua vez, recebeu duas e celebrou o reforço. A diferença de postura entre municípios vizinhos transforma uma decisão administrativa local em uma discussão maior sobre estrutura, responsabilidade, custos e, principalmente, capacidade de resposta da saúde pública.
DO Júnior Campos
