Geradores, milhões e supostas empresas fantasmas: até quando Márcia Conrado vai deixar Serra Talhada ser exposta?
Serra Talhada vem sendo colocada, nas últimas semanas, no centro de uma sequência de denúncias públicas envolvendo contratos milionários, equipamentos que, segundo os denunciantes, teriam sido contratados com recursos públicos, mas não estariam nos locais onde deveriam estar, além de questionamentos sobre empresas que prestam serviços ao município.
O debate começou a ganhar força na Câmara de Vereadores, especialmente a partir de questionamentos e fiscalizações realizados pelo vereador China Menezes e outros parlamentares. Agora, porém, o assunto ultrapassou o ambiente político local e ganhou uma repercussão ainda maior nas redes sociais.
Dois candidatos a deputado estadual, Heverton Lopes e Gilson Machado Filho, estiveram pessoalmente em Serra Talhada e gravaram vídeos nos locais relacionados às denúncias. Cada um apresentou seus próprios documentos, interpretações e questionamentos, levando para a internet acusações graves contra a administração municipal.
As denúncias precisam ser investigadas e comprovadas pelos órgãos competentes. Os citados têm direito ao contraditório e à defesa. Mas, independentemente do resultado de futuras apurações, existe uma realidade política que já está acontecendo: Serra Talhada está sendo exposta publicamente, quase diariamente, por denúncias envolvendo a utilização de recursos públicos.
E até agora, diante da dimensão que o assunto tomou, permanece a cobrança por uma resposta detalhada da gestão.
Heverton Lopes, que vem produzindo uma série de vídeos sobre Serra Talhada, afirma ter analisado 423 empenhos e sustenta que uma empresa contratada pelo município teria movimentado, segundo o levantamento apresentado por ele, mais de R$ 5 milhões em diversos serviços.
“São mais de cinco milhões de reais”, afirma o candidato.
Ao apresentar sua interpretação sobre os documentos, Heverton utiliza a expressão “laranja” para se referir à pessoa em cujo nome o CNPJ estaria registrado. Trata-se, portanto, de uma acusação feita pelo próprio candidato e que ainda precisa ser apurada.
Segundo ele, a empresa teria prestado serviços em diferentes áreas da administração municipal, envolvendo, entre outros itens, assistência técnica, computadores, notebooks e serviços de segurança. Em um dos empenhos analisados, Heverton questiona especificamente a contratação relacionada a serviços de segurança e afirma ter encontrado inconsistências que, segundo ele, merecem investigação.
Enquanto Heverton concentra suas denúncias em contratos que, segundo seu levantamento, ultrapassariam R$ 5 milhões, Gilson Machado Filho esteve em Serra Talhada para questionar outra situação: contratos relacionados à locação de equipamentos para a área da Saúde.
Em vídeo gravado no Centro de Parto Normal de Serra Talhada, Gilson afirma que contratos celebrados entre janeiro e julho deste ano somariam quase R$ 1 milhão.
Segundo o candidato, a documentação que analisou apontaria a contratação de equipamentos para unidades de saúde, entre eles geradores. No caso específico do Centro de Parto Normal, Gilson afirma que cinco geradores deveriam estar relacionados à unidade.
Durante o vídeo, ele exibe imagens de uma fiscalização realizada por vereadores, que perguntam sobre a existência de geradores no local. Nas imagens mostradas pelo candidato, a informação repassada é de que não havia gerador instalado na unidade.
É justamente essa divergência entre o que Gilson afirma ter encontrado nos documentos e o que foi mostrado durante a fiscalização que sustenta uma das principais denúncias apresentadas por ele.
O candidato também questiona a contratação de 25 no-breaks para o Centro de Parto Normal. Segundo Gilson, a unidade possui apenas três computadores, o que, na avaliação dele, torna necessário explicar por que teria sido prevista a locação de uma quantidade tão superior de equipamentos.
“Isso é um escândalo”, declarou.
Gilson também levanta suspeitas sobre a empresa responsável pelos contratos que questiona. Segundo ele, o capital social da empresa seria de R$ 5 mil, enquanto os contratos mencionados no vídeo se aproximariam de R$ 1 milhão.
O candidato afirma ainda que o proprietário da empresa seria auxiliar de serviços gerais ligado à Secretaria Municipal de Saúde e questiona o endereço cadastrado pela empresa. Com base nessas informações, Gilson levanta a suspeita de que se trataria de uma suposta empresa fantasma, acusação que, evidentemente, depende de investigação e comprovação.
O vídeo também coloca a Secretaria Municipal de Saúde no centro dos questionamentos. Gilson afirma que os contratos que denuncia estão relacionados à área administrada pela secretária Lisbeth Rosa.
Lisbeth é mãe de Breno Araújo, marido da prefeita Márcia Conrado e candidato a deputado estadual. A relação familiar, por si só, não representa qualquer irregularidade, mas Gilson utiliza essa informação para questionar a responsabilidade administrativa sobre os contratos e cobrar explicações.
Ao final do vídeo, o candidato afirma ter protocolado denúncias e anuncia que pretende acionar o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, o Ministério Público de Pernambuco e o Ministério Público Federal.
É nesse ponto que a discussão precisa chegar à prefeita Márcia Conrado.
Porque Heverton Lopes e Gilson Machado Filho são os autores das denúncias e devem responder pelo conteúdo de tudo o que afirmam. Mas os contratos questionados, os equipamentos mencionados e os serviços debatidos estão relacionados à administração pública de Serra Talhada.
Heverton fala em mais de R$ 5 milhões e levanta suspeitas sobre uma empresa e seus responsáveis. Gilson questiona quase R$ 1 milhão em contratos, fala em cinco geradores que, segundo ele e as imagens de fiscalização apresentadas no vídeo, não estavam no Centro de Parto Normal, e questiona a locação de 25 no-breaks para uma unidade que, segundo ele, possui apenas três computadores.
O que não parece razoável é assistir Serra Talhada ser colocada, durante semanas, no centro de acusações de supostas irregularidades, contratos milionários e possíveis empresas fantasmas sem que exista uma resposta pública proporcional à gravidade e à repercussão do caso.
DO Júnior Campos
