Entre a devoção e o voto: Raquel Lyra e João Campos chegam a Serra Talhada no encerramento da 236ª Festa da Penha
O encerramento da 236ª Festa de Nossa Senhora da Penha, padroeira do município, deve reunir milhares de fiéis nas ruas e no entorno da Concatedral na Praça Barão do Pajeú, no centro de Serra Talhada. Mas, em pleno período eleitoral, a grande manifestação religiosa também se transforma, inevitavelmente, em um dos mais simbólicos palcos políticos do Sertão pernambucano.
No mesmo dia em que Serra Talhada celebra sua padroeira, os dois principais protagonistas da disputa pelo Governo de Pernambuco estarão na cidade: a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra e o presidente nacional do PSB e candidato ao Palácio do Campo das Princesas, João Campos.
Os dois têm agendas relacionadas à Festa da Penha e estarão diante de um mesmo eleitorado, em uma cidade que possui peso político regional e onde a disputa estadual se mistura diretamente com as forças locais.
A programação da Festa da Penha deste ano começou no dia 29 de agosto e chega ao fim nesta terça-feira, 8 de setembro. A celebração de 2026 tem como tema “Sob o olhar da Virgem da Penha: 236 anos de História, Fé e Devoção, renovando a esperança”.
Uma festa que se confunde com a história de Serra Talhada
Entender a importância política e social desta terça-feira passa, necessariamente, por compreender o significado da própria Festa da Penha.
A devoção a Nossa Senhora da Penha está diretamente ligada à formação histórica de Serra Talhada. Registros históricos apontam que, entre 1789 e 1790, foi construída na antiga Fazenda Serra Talhada uma capela dedicada à santa. Ao redor da fé, da capela e das primeiras comunidades, foi se consolidando também a vida social que ajudaria a formar o município.
É justamente essa capacidade de reunir milhares de pessoas, famílias, lideranças e comunidades que transforma o encerramento da festa em um ambiente de enorme importância também fora do campo religioso.
Raquel e João no mesmo território
Em meio à celebração, Serra Talhada terá nesta terça-feira uma situação politicamente rara: Raquel Lyra e João Campos cumprirão agendas na mesma cidade e em torno de um dos mais tradicionais eventos do Sertão. Não se trata apenas da presença de dois candidatos em uma cidade do interior.
Serra Talhada é uma das principais cidades do Sertão e possui uma peculiaridade importante nesta eleição: o confronto estadual se reproduz dentro da própria política local.
De um lado, está o grupo da prefeita Márcia Conrado, aliada de João Campos e uma das principais lideranças políticas do PT no Sertão. Ao lado dela está o prefeito do Recife e candidato ao Governo de Pernambuco, que chega à cidade contando com uma base municipal estruturada e com o peso da máquina política local.
Do outro lado, Raquel, os Oliveira, os Duques e Carlos Evandro
Na outra frente está Raquel Lyra. A governadora chega a Serra Talhada tendo como aliados políticos importantes no município e na região os irmãos Sebastião Oliveira e Waldemar Oliveira. No mesmo campo político aparecem Luciano Duque, ex-prefeito de Serra Talhada e candidato à reeleição para a Assembleia Legislativa; Miguel Duque, candidato a deputado federal; e o ex-prefeito Carlos Evandro, formando um bloco de lideranças com forte presença na política serra-talhadense.
Uma eleição que chega ao Sertão em clima de disputa
O encontro indireto entre Raquel Lyra e João Campos em Serra Talhada acontece em um momento em que a disputa pelo Governo de Pernambuco ganha intensidade. Por isso, cada grande cidade, cada manifestação pública e cada demonstração de força política passam a ganhar ainda mais importância.
E Serra Talhada tem um ingrediente adicional.
Aqui, a disputa não será percebida apenas entre duas candidaturas estaduais. Ela será acompanhada por blocos políticos locais, candidatos a deputado, ex-prefeitos, prefeita, lideranças partidárias e grupos que conhecem profundamente o peso eleitoral de cada rua, bairro e comunidade rural.
Fé não é palanque, mas a política estará ao redor
O centro desta terça-feira continua sendo a fé. A procissão, as celebrações e o encerramento da Festa da Penha pertencem à tradição religiosa de Serra Talhada e representam uma manifestação de devoção que atravessa gerações. Mas a presença dos dois principais candidatos ao Governo de Pernambuco no mesmo ambiente político e social torna inevitável a leitura eleitoral do momento.
No encerramento da Festa da Penha, portanto, a imagem será maior do que a presença de dois candidatos na mesma cidade. Será a fé reunindo o povo e a eleição colocando, no mesmo território, os dois projetos que disputam o comando de Pernambuco. Até lá!
Do Júnior Campos
