Raquel e João apertam a disputa, Senado segue aberto no Pajeú e Márcia desafia a história política de Serra Talhada ao projetar Breno como o maior

A quinta e a sexta-feira foram marcadas por um ingrediente que costuma acelerar qualquer campanha eleitoral: pesquisa nova, debate e movimentação intensa nos bastidores. Em Pernambuco, os números apertaram a disputa pelo Governo, a corrida ao Senado ganhou novos contornos e, no Pajeú, as articulações deixaram claro que os palanques estaduais não necessariamente determinarão as escolhas para as duas vagas senatoriais.

Raquel mantém a dianteira, João cresce e a disputa aperta

O Datafolha colocou novos números na mesa. Raquel Lyra aparece com 47% das intenções de voto, contra 42% de João Campos. Considerando a margem de erro de três pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. Nos votos válidos, Raquel chega a 51%, contra 46% de João.

O dado mais importante, contudo, não está apenas na liderança. A eleição ganhou definitivamente o status de disputa apertada. Raquel preserva uma vantagem numérica e chega forte ao interior, enquanto João demonstra capacidade de aproximação e aposta na polarização direta para reduzir a diferença.

A semana já havia trazido outro sinal nessa direção. A Quaest apontou Raquel com 43% e João com 37%, também dentro de um cenário de forte competitividade.

Fura-fila x fura-teto

O primeiro debate da campanha para o Governo de Pernambuco, realizado pela Rádio Cidade 99.7 FM, em Caruaru, colocou frente a frente Raquel Lyra, João Campos e Ivan Moraes. Um dos momentos de maior repercussão ocorreu quando o confronto saiu das propostas e entrou nas trajetórias dos dois principais adversários.

Ao afirmar que “nunca furou fila”, Raquel Lyra resgatou a polêmica envolvendo João Campos. A resposta veio na hora: “Você sabia que a candidata Raquel é fura-teto?”, disparou João, levando para o debate a discussão sobre a remuneração da governadora.

Senado embaralha o jogo

A disputa pelas duas vagas ao Senado é, neste momento, ainda mais aberta do que a corrida pelo Governo.

No Datafolha, Marília Arraes aparece com 18%, seguida por Humberto Costa, com 16%. Mendonça Filho tem 12%, Eduardo da Fonte aparece com 10% e Túlio Gadêlha soma 5%.  Marília e Humberto cresceram em relação ao levantamento anterior, mas o cenário ainda está longe de uma definição.

E é justamente no interior que esse jogo começa a ganhar combinações curiosas.

Pajeú: alianças cruzadas e um Senado sem palanque único

O Pajeú talvez seja um dos melhores retratos da complexidade da eleição de 2026. Em São José do Egito, o prefeito Fredson Brito, que coordena a campanha de Raquel Lyra na região, reforçou seu apoio ao senador Humberto Costa (PT). A justificativa política dada por Fredson foi direta: “A gente trabalha com gratidão”.

Fredson com Raquel e Humberto é um exemplo de que a eleição majoritária estadual não será, necessariamente, uma chapa fechada nos municípios.

Triunfo colocou todo mundo na mesma mesa

Se São José do Egito mostrou uma das faces desse jogo, Triunfo apresentou outra. Um almoço político reuniu a governadora Raquel Lyra, o prefeito Luciano Bonfim, Túlio Gadêlha, Eduardo da Fonte e os irmãos Sebastião e Waldemar Oliveira. O encontro foi mais do que uma simples agenda política e deixou evidente que o jogo pelas duas vagas ao Senado continua sendo construído voto a voto.

Luciano Bonfim ainda não anunciou oficialmente seu candidato ao Senado. Ao sair do almoço, apareceu usando a preguinha de Túlio Gadêlha no peito,  Mas, aqui, a apuração aponta para outro caminho: a tendência é que Luciano feche mesmo com Eduardo da Fonte, e não com Túlio Gadêlha.

O episódio de Triunfo ajuda a explicar o desenho peculiar da eleição no Pajeú: Raquel reúne aliados que não necessariamente caminharão com os mesmos nomes para o Senado. E, numa eleição com duas vagas em disputa, essa liberdade local pode ser decisiva.

Serra Talhada e a frase que mexeu com a história política da cidade

Em Serra Talhada, uma frase de Márcia Conrado também chamou atenção. Ao projetar Breno Araújo como “o maior político de Serra Talhada”, a prefeita fez uma aposta de peso e uma comparação inevitavelmente histórica.

Se levada ao pé da letra, a projeção coloca Breno acima de nomes como Agamenon Magalhães, governador de Pernambuco e ministro; e, sobretudo, Inocêncio Oliveira, um dos maiores nomes da história política de Pernambuco e do Brasil. Filho de Serra Talhada, Inocêncio foi eleito deputado federal por dez mandatos consecutivos, presidiu a Câmara dos Deputados entre 1993 e 1995 e, como substituto constitucional, chegou a exercer interinamente a Presidência da República em nove ocasiões.

A comparação alcança ainda lideranças como Tião Oliveira, Ferdinando Feitosa, Augusto César, Geni Pereira, Carlos Evandro, Luciano Duque e Sebastião Oliveira, que marcaram diferentes gerações da política serra-talhadense.

A frase de Márcia desafia a própria história política de Serra Talhada.

…por fim

No fim das contas, Pernambuco começa a entrar numa fase em que pesquisa mostra tendência, debate cria narrativa e o interior pode decidir a eleição. E, no Pajeú, uma coisa já está clara: o palanque para governador pode até ter dono. O Senado, porém, continua aberto e sendo negociado município por município.

 

Do Júnior Campos

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