Debate da Globo teve confronto entre Raquel e João sobre mulheres, Tyrone, laqueadura e Bets

O debate entre os candidatos ao Governo de Pernambuco na TV Globo, na noite desta terça-feira (29), foi marcado por propostas, balanços das gestões e, principalmente, por uma sequência de confrontos diretos entre Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB).

Um dos momentos de maior tensão ocorreu quando Raquel levou ao debate o caso de Fábio Tyrone, candidato a deputado federal pelo PSB na Paraíba e condenado por agressão à ex-companheira, Myriam Gadelha.

Raquel questionou João, que é presidente nacional do PSB, sobre a permanência de Tyrone na legenda.

“Por que você protege um agressor de mulheres?”

João respondeu que o caso foi reaberto por iniciativa de sua esposa, a deputada Tabata Amaral, e afirmou que já havia determinado a expulsão de Tyrone. Segundo o PSB, em 23 de setembro João determinou que o processo fosse encaminhado diretamente ao Conselho Nacional de Ética para que a expulsão fosse concluída.

Na sequência, João levou para o confronto uma declaração de Raquel sobre uma possível laqueadura sem o conhecimento da paciente. O episódio, registrado em vídeo e que ganhou repercussão durante a campanha, já havia sido admitido pela governadora como um erro, com pedido público de desculpas.

“Quem tem um vídeo falando ‘faz sem ela saber’ numa ala pediátrica de um hospital é você, candidata”, afirmou João.

Raquel respondeu que João não havia respondido ao questionamento feito por ela e classificou a reação como uma tentativa de desviar o assunto.

“Ao invés de responder à pergunta, o candidato me ataca.”

A governadora voltou a afirmar que já havia se desculpado pela declaração e citou ações de sua administração voltadas às mulheres, entre elas o Mães de Pernambuco, o Hospital da Mulher do Agreste e a construção de novas unidades.

Saúde, UPAs e delegacias entram no confronto

Outro embate ocorreu quando João questionou Raquel sobre a quantidade de escolas técnicas, UPAs e delegacias da mulher entregues durante sua gestão.

Raquel respondeu dizendo que recebeu uma estrutura pública deteriorada e afirmou que preferiu trabalhar a reclamar.

“Eu peguei uma saúde pública sucateada, esburacada. Eu não parei pra reclamar, não.”

A governadora também criticou João por ter integrado o governo de Paulo Câmara e lembrou sua própria passagem pelo PSB.

“Eu fui do PSB, sim, mas no momento que começou a dar errado, comigo eu não fico.”

João, por sua vez, destacou realizações atribuídas às administrações do PSB e afirmou que o partido entregou mais de 50 escolas técnicas e mais de 28 UPAs.

O candidato também passou a defender sua experiência como prefeito do Recife, citando unidades de saúde, creches e outras obras realizadas na capital.

Bets provocam outro confronto

As casas de apostas também estiveram entre os temas quentes do debate.

Ivan Moraes criticou João Campos pela redução do ISS para empresas de apostas durante sua gestão na Prefeitura do Recife. João respondeu que a mudança ocorreu depois da regulamentação federal das bets e afirmou que a medida aumentou a arrecadação do município com a atividade.

Raquel também criticou a política adotada no Recife e afirmou ser contrária às apostas. A governadora relacionou o setor ao crime organizado e defendeu medidas para enfrentar o vício em jogos.

João afirmou ser pessoalmente contrário às bets, mas argumentou que a regulamentação permitiu ao Recife aumentar a arrecadação e direcionar recursos para políticas públicas.

João e Raquel apresentam balanços diferentes

Nas considerações finais, João Campos afirmou estar preparado para governar Pernambuco e apresentou a experiência na Prefeitura do Recife como parte de sua trajetória administrativa.

Ele citou um hospital, UPAs Especialidades, 78 unidades de saúde, mais de 107 creches e seis parques. Também afirmou que 80% dos investimentos da Prefeitura foram destinados à periferia.

João associou sua candidatura à parceria com o presidente Lula e prometeu investimentos em infraestrutura, saúde e transporte.

“A gente vai fazer acontecer a Transnordestina, a gente vai duplicar rodovias, fazer hospitais, expandir a saúde, cuidar do povo de verdade.”

Raquel, em sua fala final, apresentou números de seu governo. Segundo ela, foram entregues 1.600 quilômetros de estradas, enquanto outros 1.500 quilômetros estão em obras. A governadora também afirmou que 800 mil pessoas deixaram a situação de falta de água e destacou investimentos em saúde, creches e segurança.

“A gente pegou a casa desarrumada, mas não parou para reclamar, a gente foi trabalhar.”

Raquel também fez uma comparação entre sua administração e o governo anterior:

“Em todas as áreas, nestes 3 anos e 9 meses de governo, entregámos mais do que os 8 anos do governo anterior.”

Disputa chega ao debate com empate na Quaest

O confronto aconteceu no mesmo dia em que a Quaest, em pesquisa encomendada pela Globo, apontou empate entre João Campos e Raquel Lyra no primeiro turno: 42% a 42%. O levantamento ouviu 1.302 eleitores entre 25 e 28 de setembro e tem margem de erro de três pontos percentuais. No cenário de segundo turno, os dois também aparecem empatados, com 44% cada.

Com o primeiro turno marcado para domingo (4), o debate colocou no centro da disputa temas que já vinham sendo explorados pelas campanhas: violência contra a mulher, saúde pública, obras, segurança, experiência administrativa e a relação dos candidatos com seus respectivos grupos políticos.

No encerramento, João pediu o voto do eleitor e terminou sua fala com o número 40. Raquel também pediu confiança para continuar no governo e encerrou com o número 55.

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