Professores deflagram greve e pressionam Márcia Conrado em Serra Talhada

A insatisfação dos servidores da Educação de Serra Talhada saiu das salas de aula e ganhou as ruas nesta sexta-feira (2). Professores e demais profissionais participaram de uma manifestação com camisas pretas e amarelas, cartazes e apitos, seguindo em direção à Prefeitura para cobrar respostas da gestão da prefeita Márcia Conrado.

O protesto foi organizado pelo SINTEST, que já havia aprovado estado de greve. Durante a mobilização, a categoria avançou para uma nova etapa: a greve foi oficialmente deflagrada.

A presidente do sindicato, Veraluza Nogueira, afirmou durante entrevista que a categoria vem cobrando respostas há cerca de cinco meses e reclamou da falta de diálogo com a Prefeitura.

“Essa manifestação aqui, Júnior, é a respeito de três pontos de reivindicação que a gente vem reivindicando há cinco meses e a gente não tem nenhum contato com a prefeita do município. Ela não tem nenhum diálogo com a gente. Então, portanto, nós já esperamos demais”, afirmou.

Três principais reivindicações

Segundo Veraluza, as cobranças da categoria estão concentradas principalmente em três pontos: PCCR (Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração), concurso público e enquadramento das auxiliares de creche.

Sobre o plano de carreira, a presidente do SINTEST afirmou que a categoria aguarda avanços por parte da gestão.

“As indicações da gente é o PCCR, planos de cargos e carreira, concurso…”, declarou.

A sindicalista também questionou o número de profissionais contratados pela Prefeitura. Segundo ela, são quase 400 contratados na rede municipal.

Auxiliares de creche

Outro ponto destacado durante a manifestação foi o enquadramento das auxiliares de creche.

Veraluza citou a Lei Federal nº 15.326/2026, sancionada em janeiro deste ano, e afirmou que a categoria cobra a aplicação da legislação para as profissionais que atendam aos requisitos.

“Também sobre a implementação dos auxiliares de creche, que é onde diz… somos todos professores. São justamente esses que estão com a blusa amarela”, afirmou.

A presidente também argumentou que outras cidades já teriam adotado medidas relacionadas à legislação e cobrou que Serra Talhada avance no tema.

“A maioria das cidades do nosso país já implementaram e aqui não tem acordo para nossa cidade implementar esse servidor”, declarou.

Greve foi deflagrada nesta sexta

Veraluza explicou que o movimento atual é resultado de uma sequência de mobilizações. Segundo ela, houve inicialmente uma paralisação de advertência e, diante da falta de avanço, a categoria decidiu pela greve.

“E hoje nós deflagramos a greve”, afirmou.

A presidente informou que os servidores permanecerão paralisados nesta sexta-feira, segunda e terça-feira, com uma nova assembleia marcada para quarta-feira.

“A gente vai ficar hoje, segunda e terça-feira parado e a gente só retorna depois que decidir na assembleia da quarta”, explicou.

Sindicato ainda tenta negociar

Apesar da deflagração da greve, Veraluza afirmou que o sindicato ainda pretende buscar uma solução por meio do diálogo antes de recorrer à Justiça.

“A gente está primeiro tentando negociar, sem que seja preciso entrar na Justiça”, disse.

Mas deixou claro que, caso não haja atendimento às reivindicações, a entidade poderá judicializar a questão:

“Mas caso ela não nos atenda, a gente vai prosseguir na Justiça.”

A cobrança agora recai diretamente sobre a gestão municipal, que terá os próximos dias para apresentar uma resposta à categoria antes da assembleia marcada para quarta-feira.

Prefeitura diz que escolas permanecem abertas

Em nota divulgada nesta sexta-feira, a Secretaria Municipal de Educação informou que as escolas e creches da Rede Municipal permaneceriam abertas para receber os estudantes.

A pasta afirmou que cada profissional poderia decidir se participaria ou não da paralisação e que, nas unidades onde não houvesse adesão, as atividades seriam realizadas normalmente.

A Secretaria também declarou respeitar o direito de manifestação dos profissionais e informou que as aulas não realizadas em razão da paralisação, assim como eventuais atividades suspensas por assembleias do SINTEST, serão repostas nos meses de outubro e novembro.

O confronto entre as posições está, portanto, estabelecido: de um lado, o sindicato afirma que a categoria já deflagrou a greve e cobra respostas da Prefeitura; do outro, a Secretaria sustenta a manutenção das atividades nas unidades em que os profissionais não aderirem ao movimento.

 

Do Júnior Campos

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