Rosimério pede neutralidade de Márcia na disputa da Câmara, enquanto Gilliard enfrenta resistência e Nailson articula candidatura

O vereador Rosimério de Cuca (PT) mandou um recado à prefeita Márcia Conrado, do mesmo partido,  sobre a eleição da presidência da Câmara de Serra Talhada, prevista para novembro. Em entrevista ao programa A Voz da Notícia, da Rádio Vila Bela FM, na sexta-feira (9), o parlamentar defendeu que a gestora mantenha neutralidade e deixe os vereadores conduzirem as articulações para a escolha do próximo presidente.

“Eu gostaria que ela ficasse neutra, deixasse os vereadores resolver”, afirmou Rosimério ao âncora Anderson Tennens.

A declaração ocorre em meio à movimentação de nomes da base governista para comandar o Legislativo no próximo biênio. Entre eles está os vereadores, Nailson Gomes e Gilliard Mendes – este, líder do governo na Câmara, que vem se articulando para viabilizar sua candidatura, mas encontra resistência nas conversas com os colegas.

O cenário expõe uma dificuldade para o grupo governista: apesar de integrar a mesma base política, a disputa pela presidência não tem adesão automática dos vereadores a um único nome. A eleição também coloca em evidência a autonomia dos parlamentares diante das preferências e articulações do Executivo.

Rosimério cita Gilliard e prevê disputa entre nomes da base

Ao ser questionado sobre os candidatos à presidência, Rosimério citou Gilliard Mendes, Nailson Gomes e Pinheiro de São Miguel, além do próprio nome. Ele defendeu que todos tenham condições de disputar e que os apoios sejam construídos diretamente entre os vereadores.

O petista também afirmou acreditar que o atual presidente, Manoel Enfermeiro, não votará nele e poderá se alinhar a Nailson ou a Gilliard.

A declaração sinaliza que a disputa permanece aberta e que as conversas entre os parlamentares serão determinantes para definir a composição da eleição. Rosimério, por sua vez, afirmou que não pretende retirar sua candidatura e defendeu que, caso não haja consenso, os vereadores decidam no voto.

“Deixa a gente ir para o embate”, disse, ao reforçar que gostaria que Márcia Conrado permitisse que o Legislativo conduzisse o processo.

Moção contra Raquel expôs fissuras na base

A movimentação de Gilliard pela presidência ocorre após um episódio que deixou expostas divergências entre vereadores governistas. Em 22 de setembro, a Câmara rejeitou uma moção de repúdio à governadora Raquel Lyra apresentada pelo líder do governo. A proposta recebeu oito votos contrários, quatro favoráveis e três abstenções. O resultado contrariou a expectativa de que a base governista se comportasse de maneira uniforme diante da iniciativa apresentada por Gilliard.

Votaram a favor da moção o próprio autor, Tércio Siqueira, Manoel Enfermeiro e Jaime Inácio. André Maio, Rosimério de Cuca e Nailson Gomes se abstiveram. Os demais vereadores presentes votaram contra.

O episódio mostrou que Gilliard, mesmo na condição de líder do governo, não conseguiu reunir apoio suficiente para aprovar a proposta.

Levantamento do portal apontou nove votos para Rosimério

A disputa também ganhou contornos públicos após o levantamento do Portal Júnior Campos sobre os apoios de Rosimério de Cuca. A apuração apontou nove votos para o petista, considerando nomes da base governista e da oposição.

A contagem, entretanto, teve contestação de Lindomar Diniz, que afirmou não ter definido seu voto e rejeitou que sua posição fosse apresentada como fechada.

Com o pedido de neutralidade dirigido a Márcia Conrado, Rosimério coloca a autonomia da Câmara no centro do debate. Ao mesmo tempo, a movimentação de Gilliard e o histórico recente de divergências mostram que a disputa pela presidência será definida não apenas pela força do governo, mas pela capacidade de cada candidato de construir apoios entre os próprios vereadores.

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