Crise na Saúde: Paciente com AVC é transportado no chão de micro-ônibus em Serra Talhada; denuncia vereador

Um relato dramático marcou a última sessão da Câmara de Vereadores de Serra Talhada. O vereador Antônio de Antenor (Avante) denunciou que um paciente acometido por um Acidente Vascular Cerebral (AVC), no distrito de Tauapiranga, precisou ser socorrido no piso de um micro-ônibus devido à ausência de ambulâncias na localidade. O caso reacende o debate sobre o sucateamento da frota municipal e a eficiência da gestão da Secretaria de Saúde.

Improviso e gravidade

Segundo o parlamentar, a ambulância que deveria atender o distrito estava quebrada no momento da ocorrência. Diante da urgência e da impossibilidade de espera, familiares e vizinhos improvisaram o transporte. O paciente, que possui obesidade, foi acomodado no chão do veículo até chegar ao Hospital Professor Agamenon Magalhães (Hospam).

“Ele é obeso, pesa 180 kg e chegou a dar um AVC. Chamaram a ambulância e a ambulância informaram que estava quebrada e não teve outra alternativa. Transportaram ele em um micro-ônibus . No lastro do micro-ônibus. A pessoa com AVC demorou a chegar aqui no Hosptam e hoje se encontra internado na UTI do Eduardo Campos passando por momento difícil”, relatou completando:
“Isso é uma calamidade. Uma pessoa com AVC ser transportada dessa forma é inadmissível”, desabafou Antenor, visivelmente emocionado.
Cobrança a Secretária de Saúde Lisbeth Rosa
“A Secretária deveria sair do gabinete e olhar para a zona rural. Ver de perto a realidade, a falta de ambulâncias e quando tem, não há motorista. É um abandono completo dos distritos. Falta medicamento, exames não são realizados no tempo certo e a população chega a esperar três, quatro, cinco, até seis meses. É uma situação triste de relatar. Sinceramente, é difícil até encontrar palavras diante de um cenário como esse”.

O “efeito dominó” do sucateamento

A denúncia de Antônio de Antenor corrobora críticas frequentes da oposição. O vereador China Menezes já havia alertado, em novembro passado, que pelo menos oito veículos da saúde estavam parados por falta de manutenção básica, como motores e peças de reposição.

“Tem carro parado há seis meses esperando peça. Estão ‘descobrindo um santo para cobrir outro’, tirando veículo de um distrito para atender outro e deixando toda a rede vulnerável”, afirmou Menezes na época.

De acordo com os parlamentares, o problema não atinge apenas as emergências, mas também o Tratamento Fora do Domicílio (TFD). Segundo o parlamentar no mesmo discurso. Há relatos de pacientes de hemodiálise que precisaram custear o próprio deslocamento devido à indisponibilidade de transporte público oficial.

Contradição nas entregas

O cenário de precariedade contrasta com as recentes agendas da Prefeitura. Em agosto passado, duas novas ambulâncias foram entregues via emendas parlamentares e, no início de março deste ano, a gestão anunciou o reforço da frota com novas unidades. No entanto, muitos desses veículos seguem parados em pátios aguardando trâmites burocráticos, como o emplacamento – outras em pátios de oficinas, enquanto a população da zona rural depende do improviso.

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