Estudante do Sertão de PE é aprovado em engenharia aeroespacial na UFSC e diz: ‘Meu sonho é trabalhar na Nasa’

Rian quer ser engenheiro aeroespacial e tem como grande sonho trabalhar na Nasa — Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

 

 

 

Aos 17 anos, o estudante Rian Vasconcelos foi aprovado em engenharia aeroespacial na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), campus Joinville. O jovem é natural de Itapetim, no Sertão de Pernambuco, e foi selecionado através do Sistema de Seleção Unificada (SiSU). “Meu sonho é trabalhar na Nasa”, afirmou.

O interesse por tecnologia surgiu desde de criança. Rian gostava muito de desmontar os objetos e saber como funcionavam. Mas foi só durante o ensino médio que ele percebeu que podia transformar o hobby em uma profissão.

Rian estudou o ensino médio na Escola Técnica Estadual Professora Célia Siqueira, e lá encontrou apoio e oportunidade para garantir a aprovação no SiSU. “No ensino médio eu tive um suporte maior pela escola e professores de matemática e física. Tinha os laboratórios e materiais que eu podia trabalhar”, falou o adolescente.

Aos 15 anos, o estudante também teve a oportunidade de participar do Programa Ganhe o Mundo (PGM) e passou seis meses em um intercâmbio no Canadá. Mas foi somente no terceiro ano que o garoto se dedicou para conseguir uma boa nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “Como a escola era de ensino integral, eu não podia fazer o cursinho presencial. Eu passava o dia na escola. Então, eu escolhi um cursinho online”.

Durante o ano de 2018, o jovem montou uma rotina para poder se preparar para a prova e conseguir ingressar no ensino superior. “Eu saía de casa 6h30, ia para a escola, chegava em casa umas 17h30, descansava mais ou menos uma hora e depois eu assistia duas horas de aula do cursinho, e no final deixava para fazer minha tarefas da escola. Todo dia eu repetia a mesma coisa”.

 

Apoio da família

Segundo Rian, a família foi primordial para conseguir o sucesso, já que ele sempre teve apoio e incentivo dos familiares. “Minha mãe nunca cobrou de mim para que eu tirasse nota 10 e que não ficasse em recuperação, ela só dizia que era pra estudar. Muitos dos meus amigos eram forçados a estudar porque tinham que tirar uma nota ‘acima de tanto’ e eu não tinha essa pressão. Eu sempre me senti muito confortável em relação a isso”, disse.

Ao ser questionado sobre ter sentido alguma dificuldade durante a escolha do curso, ele afirmou que dois motivos fizeram ele pensar em desistir. O primeiro seria a distância que teria em relação à família caso passasse no curso. “A única pressão que eu senti, foi da minha parte, porque eu me considero uma pessoa muito apegada a família, então se eu escolhesse esse curso eu tinha que morar fora para estudar e para trabalhar, então eu fiquei dividido”.

Segundo a mãe do jovem, Edilene Vasconcelos, ela e o filho mais velho criaram Rian, por isso são muito apegados. O outro problema foi a questão financeira, pois a família não teria condições, já que por ser de outro estado ele teria mais gastos, além dos custos da viagem.

“O custo de vir para cá [Joinville], se manter aqui, achar uma casa, fazer tudo, é uma coisa que a gente não tinha condição de fazer. Então, antes de colocar a opção do curso, eu falei com a minha família e perguntei o que poderíamos fazer, se dava pra gente desenrolar de algum jeito, e mainha disse: ‘Se é isso que você quer, então coloque, que a gente corre atrás'”, disse o futuro engenheiro.

Moradores de Itapetim ajudaram no sonho

Para ajudar o jovem a realizar o sonho, moradores de Itapetim e amigos da família se mobilizaram para ajudá-lo. “Quando eu falei que ele tinha passado, minhas amigas do trabalho começaram a fazer uma ‘vaquinha’. Comprei as passagens no cartão de outra amiga e viemos para cá [Joinville]”, afirmou a mãe do estudante. (G1)

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