Jogador serra-talhadense conta sobre Kuwait: “Sei falar nem português direito”

Renatinho chegou ao Santa Cruz em 2009 para jogar nas categorias de base (Foto: Reprodução / Globo Esporte)

 

 

 

 

 

Deixar o município de Serra Talhada, no Sertão de Pernambuco, para iniciar a vida como jogador foi o primeiro desafio da carreira de Renatinho. Formado na base do Santa Cruz, onde mais tarde se consagraria um dos maiores vencedores da história do clube, deixou o Arruda pela primeira vez no ano passado, para defender Campinense e Fortaleza. Mas bastou uma ligação do zagueiro Leo Bahia, com quem dividiu os gramados em 2013, para o meia acertar as contas no Brasil e embarcar para viver a 10.000 km da cidade natal: o Kuwait, no Oriente Médio.

– Não pensei duas vezes. Ele (Leo Bahia) sempre falava, ‘você é a cara do mundo árabe, vai ter oportunidade lá’. Ele sempre falava com os amigos empresários. Um dia eu estava no quarto em Fortaleza e ele disse fala com os caras aí que eu tenho proposta para você. Resolvi tudo no Fortaleza e viajei.

O sonho de atuar fora do país aconteceu no Qadsia SC. Mas os desafios na Ásia começaram antes mesmo de entrar em campo.

No elenco, somente ele e o atacante Tiago Orobó – uma indicação de Renatinho – são brasileiros. Então, a comunicação, num país onde o idioma oficial é o árabe, foi a primeira barreira enfrentada pelo jogador. Chegou sozinho, e só contou com a presença de um tradutor no dia de sua estreia, durante a preleção no vestiário.

“Eu não sei falar nem português direito. Ele me chamava no quadro, explicava as situações de jogo. E eu ia aprendendo o básico. ‘How are you?’, essas coisas. Dava pelo menos para cumprimentar eles.”

 

No Qagsia FC, conquistou a Copa do Príncipe - equivalente a Copa do Brasil - e terminou a temporada em 4º lugar na Liga Kuwait (Foto: Arquivo pessoal )

 

Após dez meses vivendo no Kuwait, aprendeu três palavras: “água”, “obrigado” e uma expressão que corresponde a “vamos”. Mas não resolvia tudo.

“Passei acho que duas semanas usando sal grosso e quebrando em casa porque eu não sabia falar o nome sal e não tinha a quem perguntar.”

 

Num jogo amistoso, penou no banco de reservas porque estava apertado para ir no banheiro e não sabia se poderia sair. Até que, depois de inúmeras tentativas, os jogadores entenderam a palavra “toalete” e Renatinho pôde correr para os vestiários durante a partida.

Aos 26 anos de idade, Renatinho aguarda definição de futuro no futebol (Foto: Reprodução / Globo Esporte)

E agora?

O vínculo de Renatinho com o Qadsia SC terminou ao final da temporada. No Kuwait, o jogador tem contrato de três anos com uma empresa que gerencia a carreira de jogadores, e são eles quem resolvem o encaminhamento de propostas para definir o futuro do meia.

Por enquanto, a preferência é permanecer fora do país. Mas quando o futebol brasileiro voltar a ser uma meta do jogador, já sabe para onde quer voltar: o Arruda.

“Acho que seria a prioridade. É minha casa, lugar que eu sempre fui feliz. Eu amo esse lugar.”

 

Cria da base, Renatinho disputou 196 jogos e marcou em 18 oportunidades (Foto: Aldo Carneiro / Pernambuco Press)

 

No Santa Cruz, conquistou cinco Pernambucanos, uma Série C e uma Copa do Nordeste. Além de três acessos. Construíu uma história de peso e, consequentemente, uma relação com a torcida. Mesmo a distância, seguiu acompanhando o Tricolor. Por conta do fuso horário, eram 3h45 da manhã na Ásia quando assistia aos jogos do clube coral.

Encaminhado para a 9ª rodada da fase de grupos, o Santa Cruz ocupa a quarta colocação da tabela com 13 pontos. Na briga por vaga para os mata-matas que darão o acesso à Série B, o Tricolor vive momento que é visto com bons olhos por Renatinho.

– Ele tem tudo para subir. Roberto Fernandes eu não trabalhei com ele, mas pela filosofia, o perfil dele, tem tudo para fazer com que o time evolua cada vez mais e cresça na reta final.

 

Do Globo Esporte

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