Marinha libera mais navios para procurar óleo no mar e pesquisadores criam rede para estudar manchas

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Representantes de governos e universidades definiram quatro pontos de ação para lidar com os efeitos de óleo no litoral nordestino. Entre as medidas estão a criação de uma rede de pesquisadores, a liberação de mais navios para procurar manchas no mar, respaldo para iniciar operações do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas e identificação de laboratórios responsáveis pelas demandas estaduais.

As iniciativas foram anunciadas após uma reunião realizada, nessa terça-feira (29), no Recife, entre integrantes dos governos federal e de estados nordestinos, além de universidades e Marinha. O vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências, Jailson Andrade, defendeu a utilização do Fundo Setorial de Petróleo e Gás Natural para financiar pesquisas sobre o efeito do desastre ambiental.

No evento, o governador Paulo Câmara (PSB) informou que o estado contabilizou, até esta terça, cerca de 10 mil pessoas que dependem da pesca e que foram prejudicadas pelo óleo que invadiu o litoral.

De acordo com o presidente da Fundação de Amparo a Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe), Fernando Jucá, os resultados atingidos com a reunião foram objetivos e devem ajudar a conter os efeitos do óleo desde sua chegada pelo mar ao impacto nas praias, mangues e rios.

“A Marinha vai liberar navios de prospecção de Petróleo em todo litoral nordestino. Isso vai permitir sondagem não só no plano espacial, mas em profundidade, de onde há contaminação. Os navios vão fazer o levantamento numa distância entre 10 quilômetros e 60 quilômetros da costa”, explicou Jucá.

Fernando Jucá afirmou, ainda, que a reunião ganhou respaldo político para a devida implementação do Instituto Nacional Oceânico, criado como organização social em 2013. Segundo o oceanógrafo e vice-reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Moacyr Araújo, o instituto é fundamental para o enfrentamento da crise.

“Temos uma vulnerabilidade muito grande a esse tipo de acidente e temos que aproveitar isso para aprender. Isso passa, necessariamente, pela implantação, na minha opinião e da maioria da comunidade científica de todo o Brasil, do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas Limpo. Criado em 2013, até o presente momento ele não foi implementado. Teríamos um outro quadro de iniciativas, organização e de coordenação se tivéssemos trabalhando com o instituto”, declarou o vice-reitor.

Ele informou que o Ministério da Ciência e Tecnologia acenou apoio, junto aos governos e universidades de todo o país, para que o órgão passe a atuar de forma efetiva.

“Também criamos uma rede de acadêmicos e pesquisadores, especialistas na área de petróleo, que vão trabalhar continuamente, de forma integrada, para discutir as experiências de cada estado do Nordeste e se colocar à disposição dos demais estados. A criação dessa rede é um dos aspectos fundamentais”, declarou Jucá.

A quarta medida anunciada durante a reunião foi a identificação de laboratórios que vão atuar recebendo as demandas estaduais para o recebimento de óleo e água para análises. “Eles vão ser responsáveis por água, óleo ou por contaminação de pescados. Identificamos os laboratórios, instituições e as competências de cada um”, afirmou Jucá.

Fundo Setorial do Petróleo

O vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências, Jailson Andrade, defendeu que as pesquisas sobre o petróleo no litoral fossem desenvolvidas num esquema semelhante ao que ocorreu com as pesquisas sobre o vírus da zika, durante a epidemia de 2015, que ocasionou o nascimento de centenas de crianças com microcefalia.

Na época, o Fundo Setorial de Saúde financiou pesquisas, inclusive, encabeçadas por Pernambuco, um dos estados mais castigados com a proliferação do vírus. O fundo é gerido pela Agência Nacional de Petróleo, de um lado, e do outro, por ministérios como o da Ciência e Tecnologia, responsável pela gestão de todos os fundos setoriais.

“O fundo do petróleo é o mais rico, que tem maior volume de recursos. Há tempos, os recursos para pesquisa dos vários fundos setoriais, inclusive do petróleo, vêm sendo contingenciados. Uma das fontes de recursos poderia vir dele, porque em 2015 tivemos a questão da zika e foi feita uma articulação envolvendo grupos de pesquisas de todo o país e, num determinado momento, se conseguiu descontingenciamento de recursos do fundo”, declarou o vice-presidente. (G1)

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