Nível máximo de polarização no segundo turno das eleições 2018

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A abertura das urnas, na noite do último domingo (7), confirmou o que já se especulava nas últimas semanas: a polarização nacional, uma vez que o deputado fluminense Jair Bolsonaro (PSL) e o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT) se enfrentarão no segundo turno da eleição para presidente, no próximo dia 28. A onda de apoios que impulsionou Bolsonaro, na última semana antes do primeiro turno espraiou-se, mas não foi suficiente para finalizar o jogo, ontem. O capitão reformado teve 46,18% dos votos válidos, até o fechamento desta edição.

Haddad, por sua vez, amealhou 29,7% dos votos válidos, conquistando endosso significativo na região Nordeste, a única em que teve maioria, não por acaso, berço do ex-presidente Lula (PT). Apesar disso, o petista perdeu em quase todas as capitais, com exceção de Salvador, Teresina e São Luís, o que mostra que o embate com o capitão não será tarefa fácil.

Será o sexto segundo turno em oito eleições presidenciais desde a redemocratização de 1985. Se de 1994 a 2014 o que estava em jogo era avalizar ou rejeitar a gestão anterior, agora tanto Bolsonarocomo Haddad são opositores ferrenhos da impopular Presidência de Michel Temer (MDB).

O deputado conseguiu associar-se à figura da novidade na política, mesmo sendo congressista desde 1991, e ganhou para si o rótulo de combatente principal contra o PT. Promete “quebrar o sistema”, sem dizer exatamente como o fará, apoiando-se na rejeição da política tradicional – algo que vai além de Lula, mas o inclui.

Já o ex-prefeito apresenta-se como um redentor de políticas de seu partido durante a era Lula, buscando esquivar-se do desastre econômico legado por Dilma Rousseff (PT), impedida e substituída por seu vice, Temer, em 2016.

No seu discurso de agradecimento ao eleitorado, ontem, por volta das 21h, Haddad disse estar confiante de que terá um “grande segundo turno”, afirmando que há pessoas que não querem que haja uma comparação direta entre propostas, já que é “mais fácil ganhar eleição sem se expor”, numa clara alfinetada ao seu adversário Jair Bolsonaro, que não participou do último debate no fim da campanha, devido a problemas de saúde após o ataque que sofreu em Juiz de Fora, no começo de setembro.

Bolsonaro, por sua vez, optou por ir às redes sociais para dar seu recado, logo após o anúncio do Tribunal Superior Eleitoral. Ele reclamou de “denúncias de fraudes nas urnas” – que haviam sido veiculadas pelo seu grupo, e desmentidas pelo TSE – e deu a entender que não teria vencido no primeiro turno por esse motivo. Mas comemorou a vitória nas quatro regiões brasileiras, com exceção do Nordeste, lembrando que, mesmo assim, teve crescimento expressivo nela. E apostou que sua votação vai melhorar muito entre os nordestinos.

Ao lado de Paulo Guedes, seu mentor econômico ele também deu sinalizações para a economia: prometeu que, se for eleito presidente, reduzirá ainda em seu primeiro ano de governo o número de estatais para 50. “Ou privatizamos ou extinguimos”, afirmou, sem listar quais empresas sairiam da administração pública.

O círculo eleitoral brasileiro, de certa forma, traz o país de novo a 1989, rememorando o embate entre Fernando Collor e Lula. Se Haddad é um ator tradicional, e tem Lula como padrinho político, Bolsonaro representa o surpreendente nessa campanha. Ele coleciona polêmicas que lhe valem as pechas de fascista e radical, sendo réu por incitação ao estupro e um apologista da ditadura militar (1964-85).

Nada disso impediu que sua campanha baseada em uso intensivo de redes sociais e grupos de mensagens instantâneas. Analistas apostam que, no segundo turno, o embate dos dois candidatos se dará menos pelas ideias do que pelo ataque gratuito. Mas afirmam que Bolsonaro terá que se expor mais ao eleitorado. Uma disputa que vai mobilizar toda a Nação.

 

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