Polícia faz ação em lojas e desvenda esquema de receptação, revenda e desbloqueio de celulares roubados

Além dos celulares, policiais apreenderam computadores usados para fazer o desbloqueio dos telefones — Foto: Polícia Civil/Divulgação

 

Uma operação realizada, nesta quinta-feira (5), desvendou um esquema de receptação, revenda e desbloqueio de celulares roubados e furtados. Na ação, foram apreendidos 150 telefones de marcas mundiais, em três lojas no Recife e em uma, em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. A Polícia Civil estima que os equipamentos estejam avaliados em cerca de R$ 500 mil (veja vídeo acima).

A Operação Receptação cumpriu, ao todo, oito mandados de busca e apreensão nas lojas e também em residências. A polícia informou que não houve prisões, já que a Justiça autorizou apenas a apreensão dos telefones, que estavam sem nota fiscal e que não tiveram origem lícita comprovada.

Na ação, os 40 agentes e delegados também apreenderam computadores, notebooks e tablets, bem como máquinas cartões de crédito. Os equipamentos eletrônicos eram usados para desbloquear os celulares.

A polícia ainda investiga a origem de todo o material e se ele entrou no Brasil de forma lícita e ou se era alvo de contrabando ou descaminho, um crime fiscal. Alguns aparelhos, segundo a corporação, eram vendidos por valores que variavam de R$ 8 mil a R$11 mil. Outros estavam dentro de caixas, como se fossem novos.

Os envolvidos no esquema estão sendo investigados por receptação qualificada, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Além disso, disse a polícia, eles cometeram o crime cibernético chamado de invasão de dispositivo informático, por causa do desbloqueio ilegal dos aparelhos.

A investigação começou em fevereiro de 2019, a partir de uma solicitação feita pela Polícia de São Paulo. “Eles informaram o furto de um celular de juiz e conseguimos encontrar esse telefone. Esse foi o combustível necessário para começar toda a apuração”, comentou a delegada Sylvana Lélis, gestora do Departamento de Repressão Ao Crime Organizado (Draco).

A delegada afirmou, ainda, que, a partir das investigações, foi possível mostrar que as lojas estavam fazendo o “esquente” de celulares que tinham sido roubados e, provavelmente, encomendados. “Existe uma rede aí por trás e evoluímos para a apuração da invasão dos dispositivos”, declarou.

O delegado de crimes cibernéticos, Eronides Menezes, disse que, a partir de denúncias de roubos e desbloqueios ilegais, foi possível chegar a algumas lojas. “Entramos em contato com os fabricantes dos telefones e descobrimos como estavam sendo praticados os crimes”, comentou.

Segundo ele, o envolvimento das lojas foi confirmado. “Está realmente tudo comprovado. As lojas participaram do desbloqueio, da revenda dos aparelhos e da invasão de dispositivo informático”, declarou.

Segundo Menezes, os criminosos chegavam a usar artifícios para conseguir senhas dos donos dos telefones para desbloquear os aparelhos. O delegado disse que a organização mandava uma “isca” para pessoa, por meio de um site falso da empresa fabricante.

Eles informavam que o aparelho tinha sido localizado e pediam para as pessoas preencherem espaços com login e senha. “Com isso, eles conseguiram resetar a informação que havia no aparelho e acessavam o telefone com a senha e o login que tinham acabado de conseguir”, explicou.

O delegado afirmou, ainda, que um telefone roubado em São Paulo foi vendido no Recife logo após o crime. “Em Caruaru, aparelho foi desbloqueado na própria loja, acusando, inclusive, a inscrição do computador na internet”, acrescentou.

O chefe da Diretoria de Polícia Especializada (Diresp), delegado Jean Rockfeller, afirmou que a organização criminosa era muito treinada para fazer o desbloqueio dos celulares.

“O indivíduo roubava o celular na rua ou comprava no exterior, trazia para cá e desbloqueava. Esse pessoal sabia desbloquear É um pessoal muito especializado”, afirmou. Rockfeller afirmou que serão realizadas outras ações nesta investigação.

“Todos esses materiais vão passar por perícia.Tem muita conta bancária e muito dinheiro apreendido. Tenho certeza de que a investigação vai evoluir para que a gente possa dar uma resposta, para a população ter a certeza de poder comprar um celular”, comentou.

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