Presidente da EPTI entrega cargo após e-mails de cunho racista e misógino
O presidente da Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI), Yuri Coriolano, pediu exoneração do cargo nesta sexta-feira (30), depois da divulgação de mensagens antigas atribuídas a ele, contendo expressões de cunho racista e misógino. Os e-mails, datados de 2012, vieram a público por meio do portal Vero Notícias e provocaram forte repercussão política em Pernambuco.
Nas mensagens, trocadas quando ainda era estudante universitário, Coriolano faz comentários ofensivos contra a população negra e adota postura agressiva ao tratar sobre o debate do aborto e dos direitos reprodutivos das mulheres. Após a divulgação, setores da sociedade civil, parlamentares e internautas passaram a cobrar providências imediatas do Governo do Estado.
Em manifestação feita por meio de publicações temporárias em seu perfil no Instagram, que é fechado, Yuri confirmou a autoria das mensagens e reconheceu o erro. Segundo ele, as declarações não representam mais seu pensamento atual.
O agora ex-presidente da EPTI afirmou que as falas ocorreram há 14 anos, quando tinha 19 anos, e que desde então passou por um processo de amadurecimento pessoal e político. Ele destacou ainda que é filho de pai negro, casado com uma mulher negra e que construiu sua trajetória profissional pautado na defesa de direitos.
Mesmo admitindo o erro, Coriolano criticou o que chamou de exploração política do episódio, afirmando que há uma tentativa de desgastar sua imagem e atingir a gestão estadual.
Pouco depois, ele divulgou uma nota oficial confirmando que apresentou pedido de exoneração para preservar o funcionamento da EPTI e evitar que uma questão pessoal gere impactos administrativos.
Na nota, Coriolano reconhece que as frases jamais deveriam ter sido ditas, pede desculpas pelo ocorrido e reforça que sempre pautou sua vida pública e privada pelo respeito às pessoas e pelo combate a qualquer forma de preconceito.
Yuri Coriolano é advogado eleitoral e integra a equipe da governadora Raquel Lyra desde o início da atual gestão. Até recentemente, ocupava o cargo de secretário executivo da Casa Civil e era responsável por articulações políticas do governo. Ele assumiu a presidência da EPTI após a saída do antigo dirigente, em meio a denúncias envolvendo a empresa de transporte pertencente ao pai da governadora.
Nesta sexta-feira, Raquel Lyra cumpriu agenda administrativa ao longo do dia e não comentou publicamente o caso. A confirmação da exoneração foi feita por fonte do Palácio do Campo das Princesas e a publicação oficial deve ocorrer no Diário Oficial do Estado deste sábado (31).
O Governo de Pernambuco ainda não anunciou quem será o novo presidente da EPTI.
Do Júnior Campos
