Surto de lesões que provocam coceira pode ter sido causado por mariposa, diz prefeitura do Recife

‘Em alguns exames patológicos, foram encontradas cerdas’, afirma a secretária executiva de Vigilância em Saúde, Marcella Abath, sobre a espécie Hylesia, que pode causar dermatite urticante.

A principal hipótese considerada pela Secretaria Executiva de Vigilância em Saúde do Recife na investigação da causa do surto de lesões na pele que provocam coceira é de que os sintomas sejam provocados por uma espécie específica de mariposa, a Hylesia.

Ela pode causar dermatite urticante, caracterizada pela pele avermelhada acompanhada de feridas e intensa coceira pelo corpo. Como as análises ainda não foram concluídas, outras hipóteses continuam sendo investigadas.

As notificações começaram no Recife, em outubro deste ano. Também são investigadas ocorrências em cidades da Região Metropolitana, da Zona da Mata, do Agreste e do Sertão. Até esta quarta-feira (8), 21 cidades notificaram pacientes com sintomas do surto em Pernambuco.

Mariposa Hylesia pode ter causado surto de lesões na pele — Foto: Reprodução/TV Globo

De acordo com a secretária executiva de Vigilância em Saúde do Recife, Marcella Abath, foi realizada uma investigação mais aprofundada nos bairros de Dois Irmãos e Guabiraba, que ficam na Zona Norte da cidade e são os mais afetados, sendo considerados o epicentro do surto.

“Nesta análise preliminar, a hipótese mais fortalecida é a de que o surto tenha sido causado por uma mariposa. A evidência clínica e laboratorial tem ajudado muito, além do relato dos casos feito pelos pacientes. Os dermatologistas confirmam que o quadro clínico é compatível e, em alguns exames patológicos, foram encontradas cerdas [de mariposa]”, disse.
Marcella Abath ressaltou que a investigação da causa do surto ainda foi finalizada. “No início, foram elencadas várias hipóteses e, ao longo do processo, algumas hipóteses foram perdendo força e outras ganhando, sendo fortalecidas. Essa é a principal hipótese considerada hoje, é a mais fortalecida, mas ainda não está definido”, declarou.
Surto de lesões de pele que provoca coceira tem registro de 134 casos nesta quarta-feira (24) no Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

Ainda segundo a secretária-executiva de Vigilância em Saúde, também estão sendo identificados casos de outras doenças com sintomas semelhantes. “Sem dúvida, tem caso de doenças como escabiose e arbovirose no meio”, disse.

Nem todos os pacientes com as lesões relataram terem visto mariposas. No entanto, Marcela diz que o quadro clínico enfraquece hipótese de escabiose. “Pela localização e porque nem todos no domicílio pegam”, explicou.

Ainda de acordo com Marcella, também reforça a hipótese de que o surto seja provocado uma espécie específica de mariposa o aparente declínio no número dos casos e o fato de a maior parte das notificações ter ocorrido em locais próximos de Mata Atlântica. Além disso, foi identificada a ocorrência de outros surtos no Brasil na época de mais calor.

“No mapa, os casos estão beirando a Mata Atlântica, que tende a ter uma maior concentração de mariposas. E as lesões são em áreas menos expostas, como antebraço. Quando a mariposa voa, entra em contato com a luz e solta cerdas que ficam no ar ou nas superfícies, podendo ficar na roupa do varal ou no sofá, por exemplo”, disse, além de ressaltar que também é possível o contato direto das cerdas com a pele das pessoas.

Recomendações

A Secretaria Executiva de Vigilância em Saúde do Recife continua recomendando que os moradores da capital não se automediquem e procurem uma unidade de saúde para que um profissional da área faça o diagnóstico e trate adequadamente os sintomas.

Além disso, Marcella Abath recomendou que as pessoas não matem as mariposas e que, se puderem, coloquem telas em casa e mantenham portas e janelas fechadas ao entardecer.

O hábito da mariposa Hylesia é de voar, principalmente, no fim de tarde. “Também é recomendado diminuir luzes externas, não deixar roupas em varal ao entardecer, passar um pano com água nos móveis para evitar espalhar cerdas se estiverem lá e manter as mãos sempre limpas para evitar uma infecção secundária”, afirmou.

Do G1

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