TRATORES NAS RUAS: Alepe aposta na briga com governo estadual pela LOA e abandona setor da cana em crise. Em reação, AFCP e Sindicape prometem protesto
Diante do quadro, se não mudar, a AFCP e o Sindicape farão assembleia conjunta no Recife, na próxima semana, com milhares de produtores filiados de todo o estado, para deliberar sobre a realização de um grande protesto com tratores em direção à Alepe.
Em ano eleitoral, os políticos costumam ir em busca de apoio e ter boa-vontade com os pleitos da sociedade para obterem aceitação nas urnas. Contudo, a briga “sem fim” de deputados da oposição com o governo estadual referente à aprovação do projeto do orçamento anual (LOA), tem deixado desamparado e insatisfeito um dos principais segmentos socioeconômicos do estado: o setor da cana.
Os canavieiros, a fim de evitarem a quebra da próxima safra diante da crise derivada dos efeitos do tarifaço dos EUA sobre o açúcar e etanol, seguem dependendo da LOA para receber fertilizantes emergências prometidos pelo governo de Raquel Lyra. A mesma política, inclusive, já foi garantida ao setor em tempos de crise anterior por outros governadores, de Jarbas a Eduardo Campos.
A Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP) e o Sindicato Estadual dos Cultivadores de Cana (Sindicape), que são as duas entidades que representam 10 mil produtores, estão muito inconformados.
“Estamos há semanas negociando uma solução. Realizamos várias reuniões com o presidente da Assembleia Legislativa, Álvaro Porto. E com o presidente da Comissão de Financas da Alepe (Antonio Coelho), e um conjunto de deputados”, conta Alexandre Andrade Lima, presidente da AFCP.
Mas, conforme conclui o próprio dirigente, deputados de oposição insistem nesta briga eterna com o governo, mesmo, com isso, abandonando o setor da cana que emprega milhares e é um dos PIBs centrais o Estado.
“Abandona porque sem a aprovação da LOA o governo não poderá liberar os fertilizantes. É insensibilidade desses deputados diante de uma crise aguda no setor da cana”, dizem Alexandre e Gerson Carneiro Leão, que é o presidente do Sindicape.
