Witzel recebeu R$ 900 mil por ‘atuação relâmpago’ em escritórios em ano eleitoral

Governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel

 

 

Governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) recebeu mais de R$ 900 mil por uma atuação relâmpago em dois escritórios de advocacia durante a campanha eleitoral e a transição para seu governo, em 2018. O valor foi usado para justificar uma doação que Witzel fez à própria campanha de R$ 215 mil. Na declaração de bens entregue à Justiça, o governador afastado não havia informado ter dinheiro em conta bancária antes do início da disputa eleitoral.

No sábado (29), após a operação que o afastou do cargo, Witzel ofereceu uma terceira versão para os repasses. Afirmou que tudo foi pago somente após a campanha vitoriosa de 2018. Na semana passada, Witzel foi afastado do cargo por 180 dias sob suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro por decisão do ministro Benedito Gonçalves, do STJ (Superior Tribunal de Justiça). A medida monocrática de Gonçaves será julgada na quarta-feira (2) no plenário da corte, em Brasília.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República, o governador afastado recebeu no ano eleitoral R$ 412.308,37 do escritório do ex-secretário Lucas Tristão, preso na Operação Tris In Idem da última sexta-feira (28). Durante a campanha, Witzel declarou que havia se tornado sócio do ex-braço-direito, mas a parceria nunca foi formalizada na OAB. Em sua decisão, Gonçalves (STJ) destacou o fato de o escritório de Tristão ter recebido, entre julho e outubro daquele ano, R$ 225 mil da empresa Atrio Rio Service, ligada ao empresário Mário Peixoto, preso sob acusação de pagar propina a Witzel já no Governo do Rio.

O vínculo entre Tristão e Mário Peixoto foi revelado pela Folha durante a campanha. Na ocasião, Witzel afirmou que auxiliou o ex-secretário na análise do caso da Atrio Rio num processo contra o estado. Além da empresa ligada a Mário Peixoto, o governador afastado e o ex-secretário atuaram juntos em ao menos mais um processo, em favor de uma firma contra a Prefeitura de Resende (RJ).

Witzel havia declarado à Receita Federal ter recebido R$ 284,4 mil do escritório de Tristão. Ele, contudo, retificou as informações de seu Imposto de Renda em fevereiro para informar que o valor era maior, de R$ 412,3 mil -quantia informada pelo escritório ao fisco. Outros R$ 500 mil foram recebidos como participação nos lucros do escritório do advogado Fábio Medina Osório, ex-promotor que ocupou por quatro meses a chefia da Advocacia-Geral da União no governo federal na gestão de Michel Temer (MDB).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *