Saúde: a nova trincheira da disputa pelo Governo de Pernambuco
A pouco mais de quatro meses das urnas, a disputa pelo Palácio do Campo das Princesas ganhou um novo epicentro: a saúde pública. O que antes era um debate administrativo de rotina transformou-se no palco central do confronto entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB). A mudança no tom do embate reflete diretamente a alteração no cenário eleitoral, com pesquisas recentes indicando uma recuperação da governadora e um acirramento na corrida pela preferência do eleitorado pernambucano.
A narrativa do “Novo Tempo” vs. o argumento do “Retrocesso”
A estratégia de Raquel Lyra tem sido clara: contrapor o que chama de “herança de abandono” com a entrega de obras estruturantes. Em suas plataformas digitais, a governadora tem adotado um discurso de enfrentamento, afirmando que a rede estadual vive um processo de “virada de chave”.
“O povo de Pernambuco não aguentava mais o discurso fácil e a maquiagem”, cravou a governadora em recente publicação, pontuando que os avanços no Hospital da Restauração (HR) e a rede de atendimento são fruto de “trabalho, coragem e decisão política”. Para a gestão, o objetivo é consolidar a imagem de Raquel como a “gestora que faz”, focando na otimização de leitos e na reforma da rede já existente.
Do outro lado, João Campos elevou o tom da oposição ao adotar um discurso fundamentado em dados orçamentários. O socialista tem mirado na redução percentual do investimento em saúde — que, segundo ele, caiu de 18,8% da receita em 2022 para 15,8% em 2025 — para sustentar a tese de que o Estado retrocedeu.
“Pernambuco não só deixou de avançar como retrocedeu na saúde”, afirmou Campos, trazendo à tona a memória do período de expansão da rede de UPAs e hospitais metropolitanos, uma marca do legado de seu antecessor, Eduardo Campos. Para o ex-prefeito, a crise no Hospital da Restauração não é um caso isolado, mas o sintoma de um sistema que perdeu o ritmo de investimentos.
Enquanto Raquel tenta convencer o eleitor de que o “novo tempo” exige paciência para a consolidação de projetos complexos, João Campos busca mobilizar o sentimento de nostalgia por um período de expansão, contando com o capital político que ainda mantém na capital e a força do apoio do presidente Lula, elemento que deve ser explorado com mais intensidade na reta final.
A disputa, que promete ser uma das mais acirradas das últimas décadas em Pernambuco, entra agora em uma fase em que o “discurso” enfrentará o “teste das urnas”. O que está em jogo não é apenas a gestão dos hospitais, mas a confiança do eleitor sobre qual projeto é capaz de entregar uma saúde pública eficiente para os próximos quatro anos.
Do Júnior Campos
