Raquel diz ter percorrido 2.800 km no Sertão enquanto João defende governador “que goste da sertão” e disputa pelo interior esquenta

O Sertão pernambucano consolidou-se como o principal território da disputa antecipada pelo Governo de Pernambuco. Na última semana, a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) cumpriram agendas praticamente simultâneas na região, reforçando o peso político do interior na corrida eleitoral de 2026.

Raquel destacou ter percorrido cerca de 2.800 quilômetros pelo Sertão em uma maratona de compromissos oficiais. A governadora passou por municípios como Petrolina, Orocó, Bodocó, Araripina, Tuparetama, Serra Talhada e Triunfo, além de outras cidades sertanejas, entregando obras, anunciando investimentos e reforçando ações nas áreas de infraestrutura, abastecimento d’água, educação e segurança pública.

O roteiro evidencia a estratégia do governo de consolidar presença no interior, onde Raquel concentra parte expressiva de sua agenda administrativa e busca ampliar sua vantagem política.

Do outro lado, João Campos também intensificou sua presença no Sertão, cumprindo um roteiro semelhante ao da governadora. O socialista esteve em cidades como Araripina, Serra Talhada, Bodocó e municípios do Araripe, além de participar de agendas políticas e eventos regionais. Em discurso, João voltou a afirmar que Pernambuco precisa de “um governador que goste do Sertão”, frase interpretada como aceno direto ao eleitorado do interior e crítica indireta ao governo estadual.

Mais do que coincidência de agendas, o que se observa é uma disputa territorial clara, com os dois principais nomes da sucessão estadual percorrendo praticamente os mesmos polos políticos e econômicos do Sertão.

Araripina acabou se tornando o principal símbolo desse embate. Em poucos dias, recebeu tanto Raquel quanto João durante a programação junina. O prefeito Evilásio Mateus manteve postura de equilíbrio institucional e ainda não sinalizou apoio para 2026.

Nos bastidores, porém, a leitura é de cautela estratégica. Aliados avaliam que o prefeito aguarda a definição da composição majoritária da oposição e da governadora, especialmente sobre a possível confirmação do nome de Miguel Coelho para o Senado na chapa de Raquel Lyra. Só após essa definição, ele deve tomar uma posição mais clara no cenário estadual.

A proximidade histórica de Evilásio com o grupo Coelho, de Petrolina, é vista como um fator determinante nessa equação política, podendo influenciar diretamente sua decisão no palanque de 2026.

Enquanto isso, João tenta ampliar sua capilaridade no interior com discurso de identidade com o Sertão, enquanto Raquel aposta na entrega de obras e presença constante como marca de gestão.

As pesquisas mais recentes indicam um cenário competitivo e ainda em consolidação, com João mais forte na Região Metropolitana do Recife e Raquel com desempenho mais consistente no interior, especialmente no Agreste e no Sertão, sem vantagem consolidada no conjunto do estado.

Nesse contexto, o Sertão deixa de ser coadjuvante e passa a ser o principal campo de disputa da sucessão estadual. E cidades como Araripina, Serra Talhada e Petrolina se tornam peças centrais na formação dos palanques de 2026.

 

Do Júnior Campos

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