Baleada em atentado no São João de Serra Talhada pede desculpas à PM e denuncia ataques transfóbicos após vídeo
O que era para ser uma noite de celebração no polo do São João de Serra Talhada se transformou em cenário de horror na madrugada da última quarta-feira (24). Um atentado na estação do forró deixou 15 pessoas baleadas, entre civis e policiais militares, após um homem abrir fogo contra o público. Entre as vítimas estava a jovem Rafaela, que foi atingida por dois disparos e precisou ser hospitalizada.
Nas primeiras horas da manhã seguinte ao crime, ainda sob o impacto do ocorrido e com imagens fortes de sua perna perfurada no hospital, Rafaela gravou um vídeo que repercutiu intensamente nas redes sociais. Nele, a jovem teceu duras críticas à atuação da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) durante o tumulto.
No entanto, nesta quinta-feira (25), Rafaela voltou a se pronunciar através de um novo vídeo no desta vez para se retratar publicamente com a corporação e denunciar os ataques que vem sofrendo.
Humildade para reconhecer o erro
No novo depoimento, visivelmente mais calma, mas abalada, a jovem iniciou destacando a importância de reconhecer quando se falha ao expressar uma opinião.
“Da mesma maneira que erramos ao se expressar, também devemos ter humildade para reconhecer isso. Eu acredito que eu me expressei muito mal. Isso eu reconheço, muito o meu erro”, desabafou Rafaela, direcionando o pedido de desculpas aos policiais. “Eu não sei a vivência de um policial, não sei a maneira como eles são treinados. Peço mil desculpas da maneira que eu falei.”
Rafaela explicou que a reação intempestiva no hospital foi fruto do desespero e do trauma físico e psicológico de ter sobrevivido ao tiroteio. “Eu falei num sentido de dor, porque estava doendo. Queria entender de onde vinha, o porquê aconteceu… E no calor do momento, na dor, na fragilidade, acabei gravando aquele vídeo inadequado”, justificou.
Onda de ataques transfóbicos na internet
Além da retratação, a jovem aproveitou o espaço para denunciar a onda de ódio digital que passou a receber logo após a postagem do primeiro vídeo. Rafaela relatou estar sendo alvo de graves ataques transfóbicos e reforçou que já acionou os meios legais.
“Desde o dia 23 [madrugada do dia 24], venho sofrendo muitos ataques transfóbicos. As pessoas vêm destilando ódio, pensando que a internet é terra sem lei. Já tomei todas as medidas cabíveis”, alertou.
Do Júnior Campos
