Precatórios: Presidente do SINTEST denuncia “boicote” em contas bancárias e faz duro desabafo contra gestão Márcia Conrado
Um forte desabafo enviado ao Portal Júnior Campos expôs o tamanho da crise e da insatisfação dos servidores da educação em Serra Talhada. Em um áudio contundente, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (SINTEST), Veraluza Nogueira soltou o verbo contra a prefeita Márcia Conrado (PT). O estopim da revolta foi o processo de pagamento dos precatórios da categoria, classificado pela líder sindical como uma verdadeira saga de desrespeito, marcada por entraves burocráticos que quase a fizeram “perder a voz”.
A denúncia ainda sobrou para a estagnação do Plano de Cargos, Carreiras e Remunerações (PCCR) e a situação dos auxiliares de creche, desenhando um cenário de forte ruptura entre o sindicato e a gestão municipal.
“Este PCCR, a gente terminou, teve uma reunião com a gestora, a prefeita Márcia Conrado, aonde ela dizia que… é, onde… aonde ela falava que esse… ia mandar para o jurídico…”
A saga dos precatórios: “Correndo atrás de resolver o chumbo grosso”
O principal alvo da artilharia da presidente do SINTEST foi a forma como a prefeitura gerenciou o pagamento dos precatórios. Segundo ela, a gestão municipal travou os repasses alegando sucessivos “problemas” nas contas bancárias dos servidores, forçando a categoria a uma via-crúcis desnecessária para a abertura de novas contas.
A sindicalista sugeriu que houve um boicote ou incompetência administrativa, já que os valores acabaram entrando nas contas originalmente rejeitadas.
“Quase que não voltava mais minha voz correndo atrás de resolver. Ora a prefeitura dizia que a conta do pessoal estava dando problema… e depois eu fazia o pessoal abrir outra conta. Até que o dinheiro, quando cobrou-se demais, entrou tudo direitinho nas mesmas contas que eles disseram que estavam com problema. Não deu para entender”, criticou a líder do SINTEST, classificando o episódio como a hora do “chumbo grosso”.
Promessas de campanha e o PCCR na gaveta
Aproveitando o gancho do desgaste com os precatórios, a presidente do sindicato trouxe à tona outra grande cobrança da categoria que segue travada na prefeitura: o Plano de Cargos, Carreiras e Remunerações (PCCR). Ela relembrou que o texto foi totalmente lido e acordado em dezembro do ano passado, mas a prefeita Márcia Conrado engavetou o projeto sob o pretexto de análise jurídica.
Elevando o tom político, a sindicalista cobrou uma postura da gestora, lembrando sua filiação a um partido que historicamente defende os trabalhadores.
“Nesse mês de julho, a gente quer esse projeto na Câmara para ser aprovado. A prefeita está há dois anos mais preocupada com campanha política. E campanha política sem resolver as coisas do trabalhador, ninguém tem voto não. Se não aprova logo o que é de direito, então não tem voto”, disparou.
Auxiliares de creche e cabine de empregos
A denúncia também cobrou a aplicação da Lei Federal nº 13.526/2026, que garante o piso de professor aos auxiliares de creche que possuem formação superior. A presidente do SINTEST lamentou que a prefeitura prefira manter uma estrutura inflada de contratos temporários a valorizar os concursados e realizar novos concursos públicos.
“Cadê o concurso? A prefeitura está lotada de gente, uma batendo na outra sem ter o que fazer. Só são uma cabine de emprego! Isso é imoral”.
Recado final
Com a categoria em pé de guerra por conta dos precatórios e do atraso no PCCR, a presidente mandou um aviso direto para a janela eleitoral que se aproxima: “Lembrem-se, vocês governantes, prefeitos, vereadores: o povo não é otário não. As pessoas são inteligentes”.
O espaço do Portal Júnior Campos segue aberto para que a Prefeitura de Serra Talhada possa se manifestar sobre as acusações.
DO Júnior Campos
