2020, 2024 E O ACERTO DE CONTAS EM 2026: A linha do tempo da ‘guerra fria’ de Serra Talhada, agora carimbada com Breno Araújo e os Duque na disputa
As convenções partidárias realizadas nesta segunda-feira (20) carimbaram o cenário de um dos embates políticos mais complexos e acirrados do Sertão pernambucano para as eleições de 2026. Em Serra Talhada, a disputa pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e pela Câmara dos Deputados reflete o esfacelamento de antigas alianças e o choque direto entre forças que já caminharam juntas no passado.
De um lado, a prefeita Márcia Conrado (PT) homologou a candidatura de seu esposo, o médico Breno Araújo, a deputado estadual pela Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB). Do outro, o deputado estadual Luciano Duque (Podemos) teve sua candidatura à reeleição confirmada, ao mesmo tempo em que oficializou o filho, Miguel Duque, na disputa por uma vaga na Câmara Federal.
A linha do tempo: da eleição pelas mãos de Luciano ao xadrez de 2024
A história desse embate começa em 2020, quando Márcia Conrado foi eleita prefeita de Serra Talhada com o apoio decisivo de Luciano Duque, de quem havia sido secretária de Saúde dele à frente do município. Contudo, a aliança ruiu após a posse, transformando antigos aliados em adversários ferrenhos.
No pleito de reeleição, em 2024, a briga ganhou contornos estratégicos. Márcia só construiu um cenário favorável porque fechou uma aliança decisiva com Marília Arraes. A articulação retirou o comando do Solidariedade de Luciano Duque no momento em que levantamentos internos indicavam seu favoritismo para voltar à prefeitura. Impedido de disputar, Luciano viu seu grupo ser obrigado a lançar de última hora a candidatura do filho, Miguel Duque.
Para garantir aquela reeleição, Márcia também se apoiou no ex-prefeito Carlos Evandro e no AVANTE, liderado pelo ex-deputado Sebastião Oliveira e pelo deputado federal Waldemar Oliveira.
Após o pleito de 2024, no entanto, a base ruiu. Tanto Carlos Evandro quanto o grupo dos irmãos Oliveira romperam com a prefeita, migrando para a base da governadora Raquel Lyra e Carlos Evandro selando apoio a Miguel Duque.
Márcia e o teste da própria musculatura política
Para o ano em curso, o cenário é de isolamento e forte fragmentação. Sem a tutela inicial de Luciano Duque, sem os padrinhos de 2024 e enfrentando a oposição conjunta de Luciano, dos irmãos Oliveira e de Carlos Evandro, Márcia Conrado passa a encarar o seu maior teste de autonomia política. Ao lançar o próprio marido, a gestora testa pela primeira vez a própria musculatura e capacidade de transferência de voto, sem a sustentação de antigos acordos locais.
Ao comentar a oficialização de seu nome na convenção, Breno Araújo registrou nas redes sociais:
“Um momento importante para a nossa caminhada. Hoje participei da Convenção da Federação Brasil da Esperança, que confirmou a nossa candidatura a deputado estadual. Seguimos com ainda mais responsabilidade, levando a voz do Sertão e de todo Pernambuco. A caminhada está só começando!”
Números do Múltipla e a divisão do eleitorado
A pesquisa mais recente do Instituto Múltipla, expõe as fraturas dessa disputa em Serra Talhada. No cenário estimulado para a Alepe:
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Luciano Duque: 45%
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Breno Araújo: 13%
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Sebastião Oliveira: 10%
(O levantamento foi realizado com 300 entrevistas nos dias 7 e 8 de maio, com margem de erro de 5,7% e registros PE 02593/2026 e BR 02602/2026).
Palco nacional e estadual em Serra Talhada
A disputa local é também o retrato fiel da briga pelo Governo do Estado. Márcia Conrado e Breno Araújo estão alinhados ao projeto do ex-prefeito do Recife, João Campos. Já Luciano Duque, Miguel Duque, Sebastião e Waldemar Oliveira compõem a sustentação sertaneja do grupo da governadora Raquel Lyra.
Com o cenário desenhado, as urnas de 2026 não apenas definirão ocupantes para as vagas na Alepe e em Brasília, mas medirão a real força de sobrevivência de cada liderança para a sucessão municipal de 2028.
Do Júnior Campos
