CRO-PE repudia falas discriminatórias atribuídas a estudante de Odontologia e anuncia providências

Após a grande repercussão do caso divulgado pelo Repórter Ligeirinho, o Conselho Regional de Odontologia de Pernambuco (CRO-PE) emitiu uma nota pública repudiando manifestações discriminatórias contra pessoas com deficiência e pacientes com condições crônicas.

O episódio envolve uma estudante do curso de Odontologia da Faculdade de Integração do Sertão (UNIFIS). Em vídeo que circulou nas redes sociais, a jovem fez comentários considerados preconceituosos contra pessoas com deficiência e pacientes hipertensos. Em uma das falas que geraram maior repercussão, ela afirmou que, caso visse uma pessoa hipertensa e com deficiência, “ia dar um murro na cara”.

A estudante é menor de idade e, por esse motivo, o Repórter Ligeirinho preservou sua imagem e identidade durante a divulgação do caso.

Diante da repercussão, o CRO-PE afirmou ter tomado conhecimento do episódio e repudiou qualquer manifestação que desqualifique, ridicularize ou discrimine pacientes por motivo de deficiência, condição de saúde ou qualquer outra natureza.

“A Odontologia é profissão de cuidado, e cuidado não convive com desprezo”, destacou o Conselho.

A entidade reforçou ainda que o respeito à dignidade do paciente e a vedação a qualquer forma de discriminação são princípios fundamentais da Odontologia, amparados pelo Código de Ética Odontológica e pela legislação brasileira.

CRO-PE anuncia providências

Na nota, o Conselho esclareceu que estudantes de graduação não estão diretamente submetidos à sua jurisdição ético-disciplinar. Mesmo assim, informou que adotará medidas para verificar as circunstâncias do episódio e eventual responsabilidade de profissionais ou pessoas jurídicas submetidos à fiscalização da entidade.

O CRO-PE também afirmou que manterá interlocução com a instituição de ensino.

Segundo o órgão, a formação ética não deve ser tratada como elemento secundário dentro da graduação e profissionais da saúde precisam compreender que respeito, inclusão e dignidade são inseparáveis do atendimento ao paciente.

“Discriminação e desrespeito à dignidade dos pacientes não têm espaço na Odontologia”, reforçou o Conselho.

UNIFIS abriu procedimento interno

A UNIFIS também já havia se manifestado sobre o caso. Em nota, a instituição afirmou repudiar o conteúdo divulgado e esclareceu que as manifestações da estudante representam uma conduta individual e não refletem os valores, posicionamentos ou orientações da faculdade.

A instituição informou ainda que adotou as providências administrativas cabíveis, com a abertura de um procedimento disciplinar interno para apuração dos fatos.

A jovem foi notificada e recebeu prazo para apresentar sua defesa. Segundo a UNIFIS, somente após essa etapa e a análise dos elementos envolvidos será tomada uma decisão sobre eventuais medidas disciplinares.

A faculdade também destacou que, por se tratar de um procedimento em andamento, não anteciparia qualquer conclusão ou possível penalidade antes de garantir o direito de defesa da estudante.

 

DO Blog do Repórter Ligeirinho

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