De Brasília a Serra Talhada: ministérios, aproximação entre PT e Raquel e novas alianças redesenham o tabuleiro político de Pernambuco

A semana terminou com uma série de movimentações que merecem atenção no tabuleiro político pernambucano. A formação do novo governo Lula, a aproximação do PT com Raquel Lyra, a reorganização da base governista na Alepe e os movimentos de lideranças de Serra Talhada mostram que, encerrada a eleição, a política já começa a trabalhar com outro calendário: o da ocupação de espaços e da construção de alianças.

 

Victor Marques assume o desafio da continuidade

No Recife, o prefeito Victor Marques (PCdoB) tem pela frente a missão de manter o ritmo administrativo de uma gestão que ganhou projeção estadual sob o comando de João Campos. Engenheiro civil, Victor esteve diretamente ligado à condução de projetos de infraestrutura antes de assumir a Prefeitura, em abril.

A continuidade das intervenções urbanas, das obras de mobilidade e das ações de drenagem será um dos principais termômetros de sua administração. Para João Campos, que preside nacionalmente o PSB, o desempenho do sucessor também tem importância política, já que a capital continua sendo uma referência na trajetória do grupo socialista. Nesse cenário, a vice-governadora Priscila Krause também permanece no radar das articulações políticas.

 

Brasília pode ser o próximo endereço

João Campos passou a aparecer nas conversas sobre a composição do quarto governo Lula. Uma das possibilidades citadas é o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, atualmente ocupado por Luciana Santos. A hipótese tem um componente político e histórico: seu pai, Eduardo Campos, já comandou a mesma pasta durante o primeiro governo Lula. Além disso, João é presidente nacional do PSB e participou da campanha presidencial no segundo turno.

Uma eventual ida para Brasília, entretanto, depende de uma negociação mais ampla. O PSB terá de discutir seu espaço na Esplanada com partidos que também buscam participação no governo. Não há nomeação confirmada, mas a possibilidade coloca o ex-prefeito do Recife no centro das articulações nacionais.

 

Os pernambucanos cotados para a Esplanada

A disputa por espaço no governo federal também tem forte presença pernambucana. Além de João Campos, outros dois nomes aparecem nas articulações: Silvio Costa Filho (Republicanos) e Eduardo da Fonte (PP).

Silvio, que já comandou o Ministério de Portos e Aeroportos, é citado como possível nome para retornar ao primeiro escalão, inclusive com a possibilidade de assumir a Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação política do Planalto com o Congresso Nacional.

Eduardo da Fonte, por sua vez, aparece nas conversas envolvendo a participação do PP no governo. A legenda busca ampliar sua presença na estrutura federal.

Pernambuco já conta ainda com André de Paula, Luciana Santos, Wolney Queiroz e Frederico de Siqueira Filho em postos ministeriais. José Múcio Monteiro, por sua vez, já sinalizou que pretende deixar o Ministério da Defesa ao final do atual mandato.

 

Miguel Duque está no radar de Raquel

Uma das movimentações que merece acompanhamento no Sertão é o futuro político de Miguel Duque. Como já antecipamos aqui, a governadora Raquel Lyra teria procurado Miguel e manifestado interesse em contar novamente com ele na equipe estadual a partir de 2027.

Nas conversas, a governadora também teria sugerido uma mudança partidária, com a saída do Podemos para o PSD, além de sinalizar que virá pessoalmente à Capital do Xaxado para defender o nome de Miguel na disputa pela Prefeitura de Serra Talhada em 2028.

 

O movimento que pode mexer no tabuleiro de Serra Talhada

A eleição de três deputados estaduais com base em Serra Talhada abriu uma nova configuração política no município. Breno Araújo (PT), Luciano Duque (Podemos) e Sebastião Oliveira (Avante) chegam à Assembleia Legislativa com mandatos conquistados nas urnas de outubro.

Breno já anunciou a intenção de construir uma frente de atuação conjunta com Luciano e Sebastião em defesa de Serra Talhada e do Sertão do Pajeú.

Luciano Duque e Sebastião Oliveira já integram o campo de apoio à governadora Raquel Lyra. Breno, por sua vez, foi eleito pelo PT, partido que marchou com João Campos (PSB).

Uma eventual aproximação de Breno com o bloco governista de Raquel poderia representar uma mudança importante no desenho político de Serra Talhada, sobretudo diante das articulações que começam a ganhar força para 2027.

 

O aceno que interessa a Raquel Lyra

O senador Humberto Costa (PT), reeleito para mais um mandato, fez um movimento político importante ao defender a continuidade da relação institucional entre o presidente Lula e a governadora Raquel Lyra.

Humberto afirmou que a neutralidade de Raquel no segundo turno presidencial não provocou estremecimento na relação com o governo federal e declarou que a governadora pode contar com ele e com integrantes do PT para manter o diálogo institucional.

A declaração tem consequências para a política estadual. Raquel trabalha para atrair a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, para sua base na Assembleia Legislativa.

Outro movimento em discussão envolve a ida de um deputado eleito da federação para o secretariado estadual, abrindo espaço para que Doriel Barros, primeiro suplente, assuma uma cadeira na Alepe.

É justamente nesse contexto que entra Breno Araújo. Uma eventual aproximação do deputado eleito com o bloco governista de Raquel Lyra poderá ser parte de uma articulação mais ampla, que envolve não apenas a composição da base estadual, mas também os interesses políticos em Serra Talhada.

O aceno de Humberto, portanto, não é apenas uma declaração de cordialidade. É um sinal de que o diálogo entre PT e Raquel poderá produzir consequências concretas na composição política de Pernambuco a partir de 2027, com reflexos diretos no Sertão e, especialmente, no tabuleiro político da Capital do Xaxado.

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