Discurso na AMUPE, silêncio em casa: Serra Talhada soma 208 vítimas enquanto Secretaria da Mulher segue sem titular
O silêncio administrativo na Secretaria da Mulher de Serra Talhada completa hoje 18 dias. Desde o último dia 11, a pasta estratégica para o combate à violência de gênero segue sem uma secretária oficial, um vácuo que ganha contornos graves diante dos dados recentes da Secretaria de Defesa Social (SDS) de Pernambuco.
Segundo o balanço oficial do primeiro trimestre de 2026, apurado pelo portal Júnior Campos, o município já soma 208 vítimas de violência doméstica e familiar. A estatística revela uma realidade dura: a cada dia, em média, duas mulheres são vítimas de algum tipo de agressão na Capital do Xaxado.
Contraste na gestão
A demora de quase três semanas para nomear uma nova secretária levanta questionamentos sobre a prioridade da pauta no escalão municipal, especialmente pelo fato de a prefeita Márcia Conrado (PT) ocupar o cargo de Secretária da Mulher na AMUPE.
A jornalista Betânia Santana, da Folha de Pernambuco, escreveu, em um dos recortes de sua coluna desta quarta-feira (29), que, no 9º Congresso da AMUPE, a prefeita Márcia chegou a lamentar o retrocesso no estado. “Ano passado discutimos a presença feminina na política. Este ano, avaliamos se estamos vivas.” A fala da gestora de Serra Talhada remete ao próprio município, onde ameaças e lesões corporais contra mulheres lideram as ocorrências policiais na cidade.
Diferente da agilidade vista na Secretaria de Assistência Social, onde a substituição de Márcio Oliveira por Allan Pereira foi resolvida rapidamente, a Secretaria da Mulher permanece “esquecida” no organograma oficial. Até o momento, o site da Prefeitura não foi atualizado e não houve anúncio de um novo nome nos canais institucionais.

Os números do trimestre (Jan-Mar/2026)
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Total de Vítimas: 208
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Mês com mais registros: Janeiro (74 casos), seguido de perto por Março (73 casos).
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Perfil mais atingido: Mulheres entre 35 e 64 anos (108 casos).
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Principais crimes: Ameaças (96) e Lesões Corporais (57) lideram as ocorrências.

Com uma taxa de 209,8 vítimas por 100 mil habitantes, o maior desafio de Serra Talhada no momento é a execução de políticas públicas de proteção e acolhimento. A ausência de uma gestora à frente da pasta pode comprometer a articulação de rede de proteção e o diálogo direto com os órgãos de segurança em um período de alta nos indicadores.
DO Júnior Campos
