Lisbeth sai, denúncias ficam sem respostas e Márcia silencia: Tamires Brandão pode permanecer meses no comando da Saúde, seguindo histórico da prefeita

A saída de Lisbeth Rosa da Secretaria de Saúde de Serra Talhada abriu uma nova etapa de uma crise que está longe de terminar. A secretária entregou o cargo por meio de uma carta, mas deixou para trás uma série de questionamentos sobre contratos, pagamentos e denúncias que ganharam espaço no debate político do município.

Desde que o vereador China Menezes começou a apresentar denúncias envolvendo possíveis irregularidades e empresas supostamente de fachada, passando pelas manifestações do advogado Heverton Lopes, que se apresenta nas redes sociais como “caçador de corruptos”, o assunto ganhou proporções que exigem respostas do governo municipal.

Não se trata de questionamentos menores. As denúncias, incluindo suspeitas envolvendo empresas contratadas e equipamentos que deveriam estar disponíveis em unidades de saúde, precisam ser esclarecidas. A população tem o direito de saber como o dinheiro público foi utilizado.

Na Câmara, o episódio também deixou um histórico de resistência aos pedidos de esclarecimento. Em agosto, o requerimento de China Menezes para convocar Lisbeth ao plenário foi rejeitado por 12 votos a 4. Posteriormente, a própria Secretaria de Saúde solicitou mais 45 dias para apresentar respostas e documentos.

O prazo foi pedido, mas a cobrança continua.

Agora, com a saída da secretária, a prefeita Márcia Conrado tem a obrigação de dizer quais providências serão adotadas. A troca de comando não pode representar o encerramento de uma discussão que envolve recursos públicos e serviços essenciais.

Márcia voltou, mas não explicou

A renúncia de Lisbeth ocorreu enquanto a prefeita estava viajando. Com o retorno de Márcia à agenda pública, a expectativa era de alguma manifestação sobre a saída da secretária e a situação da pasta.

Até esta sexta-feira (6), porém, não houve coletiva ou pronunciamento público específico para explicar a decisão, os motivos da mudança e os próximos passos da administração.

A prefeita pode até não considerar necessário responder à oposição ou conceder entrevistas à imprensa, mas existe uma obrigação maior: dar satisfação à população.

A Saúde é uma das áreas mais sensíveis da administração. Enquanto os usuários enfrentam dificuldades para conseguir consultas, exames, medicamentos e atendimento, a gestão precisa demonstrar que tem comando, planejamento e responsabilidade.

O silêncio acaba alimentando interpretações políticas. Para uma parcela da população, a maneira como Lisbeth deixou a pasta e a ausência de explicações do governo reforçam as suspeitas levantadas. Isso não significa que as denúncias estejam comprovadas, muito menos que a saída represente admissão de culpa. Significa, entretanto, que a Prefeitura precisa apresentar respostas.

Tamires Brandão pode continuar no comando?

Enquanto os bastidores começam a movimentar especulações sobre quem assumirá definitivamente a Secretaria de Saúde, um cenário merece atenção: a permanência de Tamires Brandão, atual secretária-executiva, no comando da estrutura por um período prolongado.

E essa possibilidade não surge por acaso. Basta observar o histórico de Márcia Conrado na condução das mudanças do primeiro escalão.

Um exemplo recente foi a Secretaria da Mulher. Vera Gama deixou o cargo em abril, e a pasta permaneceu sob o comando da estrutura executiva durante meses. A prefeita só anunciou uma nova titularidade posteriormente, com a escolha de Aniele Inácio, já no período eleitoral.

Ou seja, não seria a primeira vez que Márcia deixa uma secretaria estratégica funcionando sob a responsabilidade da equipe executiva, sem pressa para anunciar um novo titular.

Por isso, apesar da fila de possíveis interessados e das articulações que naturalmente surgem em torno de uma pasta tão importante, a permanência de Tamires Brandão é uma hipótese bastante plausível.

Podemos ser surpreendidos por uma escolha diferente. Mas, considerando o comportamento administrativo de Márcia em situações anteriores, não seria estranho se a prefeita optasse por manter a atual executiva por meses, como já ocorreu em outra secretaria.

A população não pode continuar esperando

Independentemente de quem ficará com a cadeira, existe uma questão que não pode ser deixada em segundo plano.

A população de Serra Talhada já enfrenta reclamações recorrentes sobre os serviços municipais de Saúde. Agora, além dos problemas cotidianos, acompanha uma crise política e administrativa que atravessou a gestão da secretaria e terminou com a saída da titular. A prefeita precisa definir o comando, mas, sobretudo, precisa explicar o que aconteceu e quais providências serão tomadas diante das denúncias. Mas uma coisa não pode esperar: as respostas que a população de Serra Talhada merece.

 

Do Júnior Campos

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