Márcia Conrado e Luciano Duque fazem o dever de casa, Sebastião segue como fiel da balança e a conta para 2028 está zerada

As urnas de 2026 produziram mais do que três deputados estaduais e um federal eleitos por Serra Talhada. O resultado também redesenhou as forças políticas do município e deixou uma conclusão importante para 2028: ninguém saiu da eleição com força suficiente para ser considerado dono absoluto do jogo.

Márcia Conrado fez o que precisava fazer. Luciano Duque também. E Sebastião Oliveira, mesmo em um cenário diferente dos dois principais polos, preservou seu espaço e confirmou que o Avante continua sendo uma peça importante na equação política local.

Breno Araújo terminou como o deputado estadual mais votado de Serra Talhada, com 15.087 votos. Luciano Duque ficou logo atrás, com 14.827. Apenas 260 votos separaram os dois. Sebastião Oliveira apareceu em terceiro, com 4.570 votos.

O resultado de Breno tem um significado direto para Márcia. Durante a campanha, a prefeita deixou claro que pretendia fazer do marido o majoritário em Serra Talhada. Conseguiu.

Mais do que eleger Breno, o grupo governista conseguiu colocá-lo à frente justamente de Luciano Duque, principal adversário político da atual gestão. Para uma prefeita que vinha de uma reeleição expressiva em 2024, o resultado representa a manutenção de uma base eleitoral competitiva.

 

Três eleições, três momentos

A trajetória das últimas eleições municipais ajuda a entender o tamanho da disputa. Em 2016, Luciano Duque foi reeleito prefeito de Serra Talhada com 24.532 votos, contra 19.091 de Victor Oliveira.

Quatro anos depois, com a chancela de Ludiano Duque, Márcia Conrado assumiu o protagonismo eleitoral e venceu a eleição de 2020 com 26.565 votos, correspondentes a 60,54% dos votos válidos.

Em 2024, Márcia voltou às urnas para buscar a reeleição e ampliou sua votação nominal para 27.952 votos, equivalentes a 57,68%. Miguel Duque terminou com 18.191.

A partir daí, a relação entre os grupos de Márcia e Luciano ganhou outra dimensão. O que antes era uma relação marcada pela aliança passou a ser uma disputa direta pelo protagonismo político de Serra Talhada.

E 2026 funcionou, na prática, como uma nova medição dessa força.

 

O acirramento chegou à campanha

A disputa entre os dois grupos também esteve presente durante a campanha eleitoral. Um dos momentos mais tensos ocorreu em torno da candidatura de Luciano Duque, depois da rejeição de suas contas pela Câmara de Vereadores e da discussão sobre sua elegibilidade na Justiça Eleitoral, que por unanimidade afastou a inegibilidade. O episódio alimentou o ambiente de confronto político e foi interpretado pelo grupo de Duque como uma tentativa de retirá-lo da disputa.

 

Cada grupo fez sua parte

Se a missão de Márcia era demonstrar que continuava tendo força eleitoral e conseguir fazer o marido majoritário em Serra Talhada, o objetivo foi alcançado. Breno terminou na frente e garantiu uma demonstração eleitoral importante para a prefeita.

Mas Luciano também tem motivos para comemorar. Mesmo enfrentando todo o ambiente de disputa política e máquina p[ublica municipal, conseguiu chegar a apenas 260 votos do candidato apoiado pelo grupo governista. Além disso, sua votação estadual confirmou que ele continua sendo uma liderança competitiva no cenário pernambucano.

A leitura mais equilibrada é que os dois grupos saíram fortalecidos em aspectos diferentes, mas com forças que hoje se mostram muito próximas na régua eleitoral.

 

E onde entra Sebastião?

É justamente aqui que aparece uma terceira força que não pode ser ignorada. Sebastião Oliveira terminou com 4.570 votos em Serra Talhada. O número é inferior ao de Breno e Luciano, mas sua importância política não pode ser medida apenas pela votação individual.

O Avante participou diretamente da composição que garantiu a reeleição de Márcia em 2024. O partido indicou Faeca Melo para a vice e levou para a aliança uma estrutura política própria. A escolha foi construída sob a liderança de Sebastião Oliveira.

Naquele mesmo pleito, os candidatos do Avante à Câmara somaram 6.401 votos em Serra Talhada. A esse número se pode acrescentar a votação de Vera Gama, que disputou pelo Republicanos e obteve 1.133 votos, mas fazia parte do grupo político ligado a Sebastião. Considerando essa base política, chega-se a 7.534 votos.

É justamente esse retrospecto de 2024 que ajuda a entender por que o Avante e o grupo de Sebastião não podem ser tratados apenas como coadjuvantes na política municipal. Naquele momento, a composição com o grupo de Márcia foi parte da construção da chapa que venceu a eleição.

Agora, em 2026, Sebastião voltou à Assembleia Legislativa, enquanto seu irmão, Waldemar Oliveira, foi reeleito deputado federal pelo Avante, com 97.152 votos.

O grupo, portanto, chega a 2028 mantendo representação estadual e federal e uma estrutura política própria em Serra Talhada.

 

A incógnita para 2028

Mas há uma pergunta que começa a ganhar peso desde já: o Avante vai manter candidatura própria ou, mais adiante, poderá compor com um dos dois principais palanques? A posição pública de Waldemar Oliveira, por enquanto, é pela candidatura própria. Em junho, o deputado afirmou que o Avante pretende disputar a Prefeitura de Serra Talhada em 2028 sem aliança com os grupos de Márcia Conrado ou Luciano Duque.

Mas as urnas de 2026 deixaram uma leitura objetiva: Márcia fez o dever de casa, Luciano também. Sebastião preservou seu espaço. E a conta para 2028 começa zerada.

Só o tempo dirá. E que comecem as apostas.

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