Miguel Duque crava viabilidade rumo à Câmara Federal e dispara: “Márcia não cumpre compromisso e falta ardor na alma de Breno”
Em participação recente no podcast ElesPod, o pré-candidato a deputado federal Miguel Duque (Podemos) elevou o tom do debate. Além de rechaçar os boatos da oposição sobre a fragilidade de seu projeto, o jovem político detalhou as contas de bastidor que garantem sua viabilidade eleitoral e disparou críticas contundentes à gestão da prefeita Márcia Conrado e ao seu grupo político.
Viabilidade eleitoral e o cálculo do Podemos: “Não é para marcar posição”
Logo no início da entrevista, Miguel Duque tratou de afastar os rumores de que sua pré-candidatura seria apenas um balão de ensaio ou uma estratégia de recuo futuro. Apoiado em uma densa articulação que já ultrapassa a marca de 20 municípios parceiros, ele destacou o crescimento de seu nome na região.
“Bom, a gente tem construído uma pré-candidatura positiva, a gente tem crescido bastante. […] E diante desses apoios que vão acontecendo, a gente tem a oposição de Triunfo, tem oposição de Flores, e diversos outros apoios, como Santa Maria da Boa Vista, são mais de 20 municípios que vêm se somando.”
De acordo com o pré-candidato, o desenho interno do Podemos oferece as condições matemáticas necessárias para assegurar uma vaga na Câmara Federal, desmistificando as críticas dos adversários.
“A gente tem uma chapa que tem um cálculo eleitoral viável quando a gente fala do Podemos hoje, que na conta que se faz, né, nos bastidores da política, a gente faz muito conta. E aí essa conta que se faz hoje é que o Podemos faz três com toda certeza, podendo fazer uma quarta vaga. A gente vai brigar pela terceira vaga. Estamos colocando aí o nosso nome à disposição.”
Para pavimentar esse caminho, o ex-presidente do IPA contará com uma forte aliança caseira: as “dobradinhas” com o seu pai, o deputado estadual Luciano Duque.
“Isso se dá também à articulação do deputado Luciano Duque, que tem um um grupo muito forte, boa parte das minhas bases são dobradas com ele e a gente tem feito essa construção.”
Críticas severas a Márcia Conrado, Breno e à Saúde do município
O momento mais agudo da entrevista ocorreu quando o pré-candidato analisou os adversários locais. Miguel não poupou críticas à prefeita Márcia Conrado e ao seu candidato a deputado, o cirurgião-dentista Breno. Questionado sobre a identidade e a força da chapa governista, Miguel usou uma referência de Harvard para avaliar o concorrente.
“Eu respeito, acho que todas as pessoas têm o direito de ser candidatos. […] Mas eu entendo que falta a ele um pouco de propriedade para debater os problemas e as características da nossa região, do nosso povo, as nossas lutas. Eu sinto que talvez ele não não seja político. Eu não sei se essa é a vibe dele, mas essa é a sensação que eu tenho. Tô sendo, eu tô sendo muito sincero. […] Para ser político tem que ter um ardor na alma. Você tem que olhar no olho e sentir que a pessoa gosta de fazer aquilo. Eu não sinto nele isso.”
A desaprovação estendeu-se diretamente à condução administrativa de Serra Talhada. Segundo Miguel, Márcia Conrado abdicou do planejamento administrativo em troca da das eleições em curso.
“O que me incomoda um pouco é, eu vejo que hoje o governo ele parou de pensar o desenvolvimento da cidade, e começou a pensar politicamente. […] Começou a se debater mais um momento político, uma campanha que não tem… Tá se criando uma identidade que não existe. Eu acho que isso é desgastante para a prefeitura. Eu não sinto que os debates do povo de Serra Talhada hoje fazem parte do momento.”
Provocado sobre o histórico de rompimentos de Márcia, o pré-candidato foi categórico:
“Ela não cumpre os compromissos dela. Mas isso torna ela mentirosa? Talvez torne. Mas enfim… , eu acho que Márcia vai ser… O povo de Serra Talhada tá procurando a prefeita e não tá achando. Ela tá calada. Aí ela tá fazendo a campanha.”
Aliança com o clã Oliveira e o fantasma dos acordos quebrados
No tradicional quadro de reações, Miguel Duque surpreendeu ao estender gestos de harmonia e distribuir “corações” para os líderes do Avante, o ex-deputado Sebastião Oliveira e o deputado federal Valdemar de Oliveira. Embora pertençam a correntes distintas na engrenagem local, Miguel chancelou o papel fiscalizador que o grupo assumiu e justificou o recente rompimento dos Oliveiras com o governo Márcia Conrado.
“A gente respeita Sebastião, e Waldemar, a gente entende a posição deles de oposição também. Não somos o mesmo grupo político, mas respeitamos. Eu acho que eu não tenho nenhuma ressalva com relação aos dois. Tenho relação positiva com Virgílio [filho de Waldemar]… uma pessoa boa.”
Sobre a implosão da aliança que garantiu a vitória governista no pleito passado, o diagnóstico de Miguel foi cirúrgico, rememorando compromissos que teriam sido descumpridos com a família Oliveira na disputa pelas vagas parlamentares:
“O que começa errado não termina bem, né? […] Eu entendo que nada que começa mal termina bem. E aí eu eu reduzo a isso, é o insucesso dessa parceria. E eu entendo que Sebastião tá correto, por mais que eu tenha essa primeira opinião, a segunda é que Márcia efetivamente fez um compromisso de apoiar para deputado estadual, que é notório e público, e que ela descumpriu. Mas a gente vê que historicamente, veja, não sou eu que falo, eu acho que quem quiser analisar o histórico de Márcia vai só olhar os compromissos que ela vem rompendo historicamente.”
O horizonte para 2028
Instigado sobre o seu futuro político e se mantém vivo o sonho de governar Serra Talhada nas eleições municipais de 2028, Miguel Duque preferiu manter a cautela típica do seu estilo, mas deixou o recado desenhado para o eleitorado serra-talhadense.
“A política é como uma nuvem, muda o tempo todo. O cargo é o fim, mas a gente não faz as coisas pelo fim, faz pelo meio, porque gosta de cuidar das pessoas. Nosso grupo político iniciou um debate e conseguiu mostrar às pessoas que havia um novo projeto, um novo momento que podia ser discutido para Serra Talhada. O futuro a gente não prevê, mas 2028 também vai ter o seu momento de debater”, concluiu.
Do Júnior Campos
