“Pegadinha” de R$ 1 milhão: Lindomar acusa governo de distorcer votação e classifica segundo mandato de Márcia como “ruim e ausente”
O clima político em Serra Talhada segue em temperatura máxima. Em entrevista concedida ao podcast ElesPod, conduzido por Júnior Campos e Mariana Ferraz, o vereador Lindomar Diniz, líder da oposição na Câmara Municipal, não poupou críticas à prefeita Márcia Conrado (PT) e à articulação política do governo. Entre denúncias de ausência administrativa e polêmicas na votação de projetos, o parlamentar subiu o tom, desenhando o cenário de uma gestão que, segundo ele, trocou a administração pela política partidária.
Abaixo, confira os pontos mais polêmicos e os bastidores revelados pelo parlamentar:
O Projeto da discórdia: manobra de R$ 1 Milhão e o Garantia-Safra
A principal polêmica recente na Câmara envolveu o Projeto de Lei nº 023/2026. A bancada governista acusou a oposição de votar “contra o homem do campo” ao rejeitar a matéria. Lindomar desarmou a narrativa e acusou o líder da situação, vereador Giliard, de distorcer os fatos:
A “pegadinha” no orçamento
de acordo com Lindomar, o governo unificou no mesmo projeto o remanejamento de R$ 200 mil para o Garantia-Safra e a autorização de R$ 1 milhão para o pagamento de sentenças judiciais.
A acusação de mentira
“Vou considerar Giliard mentiroso, porque a gente tem que trabalhar com a ética e com a realidade das coisas. (…) Se fizesse o projeto do Seguro-Safra separado, o vereador da oposição teria votado a favor. Eles quiseram colocar uma pegadinha para jogar o homem do campo contra o opositor.”
Corte de recursos
O vereador denunciou que os R$ 200 mil do Garantia-Safra foram remanejados da manutenção de estradas rurais, um setor que já sofre com reclamações constantes da população.
“Tratado como inimigo”: a relação com o Executivo e a Mesa Diretora
Lindomar relatou a dura realidade de exercer o papel de fiscalizador, apontando a falta de diálogo institucional com a prefeita e o clima frio na Casa Legislativa.
O vereador lamentou a postura da gestão de enxergar a crítica como um ataque ao município: “O vereador de oposição no Sertão é tratado não apenas como opositor, e sim como inimigo da gestão. Como se você estivesse contra o município.”
Relação fria com Manoel Enfermeiro
Perguntado sobre o recente e acalorado bate-boca com o presidente da Câmara, Manoel Enfermeiro, ocorrido nas vésperas do aniversário da cidade, Lindomar confirmou que a conversa não foi “simpática nem educada”, mas garantiu que não se intimida: “Eu só baixo a cabeça para o homem lá de cima e para o meu pai quando estava aqui.” Atualmente, a relação com a presidência se resume à formalidade.
Radiografia do “abandono”
Ao rebater a tese governista de que Serra Talhada vive seu “melhor momento”, Lindomar propôs uma análise setorial das secretarias, apontando falhas graves no atendimento básico: Apontada como a maior dor da população, a pasta comandada por Lisbeth Rosa foi alvo de duras críticas por falta de medicamentos, demora em exames e falta de humanidade. O parlamentar questionou a ausência de programas para a agricultura familiar (relembrando projetos antigos como o do algodão e da piscicultura) e criticou o esquecimento das tradições do Cangaço e do abandono da Feira Livre. Foram citados o sumiço do transporte coletivo e o aumento alarmante de cães de rua atacando pedestres e mototaxistas, sem nenhuma política pública de controle ou castração.
Críticas Diretas a Márcia Conrado: “gestão ausente”
O líder oposicionista poupou a pessoa física de Márcia Conrado, mas foi implacável com a sua postura como gestora, classificando o atual momento do mandato como “ruim e ausente”. Quando provocado a avaliar a gestão municipal, foi direto:
“Avalio esse segundo mandato ruim, porque é um segundo mandato ausente, é um segundo mandato preocupado muito em se fazer política e não em administração. Eu acho que para administrar você tem que estar, você como executivo, prefeito, você tem que estar perto do povo, você tem que estar ouvindo a dor do povo, você tem que estar fiscalizando, você tem que estar que dá prioridade ao básico, que é o que se precisa dentro de Serra Talhada. E quando não é o que a gente vê, o que a gente vê eh em pleno semana, dia de expediente, que deveria estar atendendo as demandas de Serra Talhada, tá fazendo política em outros municípios”, disse.
Do Júnior Campos
