PF diz que grupo ligado a Daniel Vorcaro oferecia até R$ 2 milhões a influenciadores para atacar o Banco Central

A Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero e afirma ter descoberto um esquema que pagava influenciadores digitais e jornalistas para publicar conteúdos favoráveis ao Banco Master e atacar o Banco Central. Segundo a investigação, as propostas chegavam a R$ 2 milhões por campanha.

Cumprimento da lei

O principal alvo da operação é o publicitário Thiago Miranda, apontado pela PF como coordenador do chamado “Projeto DV”, iniciativa que teria sido criada para melhorar a imagem do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso desde 2025.

De acordo com a investigação, os interessados precisavam assinar um acordo de confidencialidade antes de conhecer os detalhes da proposta. Quem aceitava deveria produzir conteúdos afirmando que o Banco Master era vítima de perseguição do Banco Central. Já aqueles que recusavam as ofertas, segundo a PF, passavam a sofrer intimidações com o uso de informações pessoais obtidas de forma ilegal.

A Polícia Federal também afirma que o grupo monitorava jornalistas e autoridades. Entre os alvos estariam a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, além do presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, e pessoas ligadas ao presidente do Banco Central.

Em depoimento, Thiago Miranda confirmou que recebeu recursos ligados à venda de parte do portal Léo Dias e afirmou ter apresentado a Vorcaro um plano de gerenciamento de crise após a prisão do banqueiro. A PF, porém, sustenta que o dinheiro utilizado nas campanhas tinha origem no esquema investigado envolvendo o Banco Master.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou mandados de busca e apreensão, além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do publicitário. Na decisão, o ministro afirmou que há elementos consistentes indicando a atuação de uma organização com “contornos de máfia”.

Em nota, a defesa de Thiago Miranda negou qualquer irregularidade. Os advogados afirmam que ele sempre atuou dentro da legalidade, respeitando as instituições e a liberdade de expressão, e destacam que o publicitário está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos e provar sua inocência.

 

DO Vila Bela Online

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