Raquel e João trocam acusações sobre segurança, aditivos, salário e educação em debate marcado por propostas de Ivan Moraes

O debate entre os candidatos ao Governo de Pernambuco Raquel Lyra (PSD), João Campos (PSB) e Ivan Moraes (PSOL) foi marcado nesta segunda-feira (21) por confrontos sobre segurança pública, obras, aditivos contratuais, salário da governadora, educação, servidores e políticas para as mulheres.

Grande parte dos momentos de maior tensão ocorreu entre Raquel e João, que utilizaram os respectivos históricos administrativos como argumento para questionar o adversário. Ivan, por outro lado, buscou se apresentar como uma alternativa aos dois grupos e concentrou sua participação na defesa de propostas próprias.

Segurança e Delegacias da Mulher

Um dos principais embates começou quando João Campos questionou Raquel sobre a quantidade de Delegacias da Mulher construídas e inauguradas do zero durante sua gestão.

João pediu que a governadora apresentasse o número de unidades construídas nessas condições. Raquel, em sua resposta, destacou o cenário que, segundo ela, encontrou na segurança pública ao assumir o Estado.

A governadora afirmou que recebeu delegacias sem estrutura e destacou a contratação de mais de 8 mil profissionais de segurança, além de investimentos em viaturas, armamentos, helicópteros, drones, sistemas de inteligência e equipamentos.

Na réplica, João voltou ao questionamento inicial e afirmou:

“A candidata não respondeu, porque o número é zero.”

Aditivos e a obra da orla de Boa Viagem

Outro momento de forte confronto envolveu os aditivos contratuais em obras públicas. Raquel destacou os investimentos realizados durante seu governo e afirmou ter entregue 1.650 quilômetros de estradas, além de ter mais de 1.500 quilômetros em execução. A candidata também afirmou que pretende construir outros 3 mil quilômetros em um eventual novo mandato.

Em seguida, questionou João Campos sobre a reforma do calçadão de Boa Viagem, no Recife. Segundo Raquel, o projeto teria passado de um custo inicial de aproximadamente R$ 100 milhões para R$ 207 milhões e ainda não teria sido entregue.

João afirmou que aditivos são previstos em lei e que sua gestão segue as regras legais. O candidato também citou contratos do Governo do Estado que, segundo ele, tiveram aditivos, incluindo o Arco Metropolitano e obras de restauração.

Raquel voltou a questionar o custo da intervenção em Boa Viagem, enquanto João afirmou que a discussão envolve mais de um contrato, incluindo estruturas como banheiros, quiosques e centralidades.

Salário da governadora entra no confronto

O tema dos aditivos levou João Campos a direcionar parte de sua resposta para o salário de Raquel Lyra. O candidato questionou a legislação que elevou a remuneração da governadora e afirmou que o valor teria chegado próximo de R$ 60 mil.

João também mencionou um parecer atribuído ao ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski e afirmou que a questão deveria ser explicada pela candidata. Raquel rebateu dizendo que João não poderia afirmar que a legislação era inconstitucional e argumentou que somente o Judiciário poderia fazer esse tipo de declaração.

O assunto voltou a aparecer na tréplica de João, que afirmou que Raquel teria recebido aproximadamente R$ 1,2 milhão relacionados à remuneração questionada.

Educação e servidores

A educação também provocou uma sequência de ataques. Raquel criticou a gestão de João Campos na Prefeitura do Recife e afirmou que professores municipais teriam recebido uma proposta de reajuste de R$ 1, o que teria contribuído para uma greve da categoria.

João contestou a afirmação e afirmou que sua administração nomeou mais de 2.500 professores e concedeu reajustes anuais. O candidato também citou investimentos na educação infantil e afirmou que sua gestão triplicou as vagas de creche, com mais de R$ 600 milhões investidos, além da abertura de mais de 107 novas creches.

João aproveitou o momento para cobrar Raquel sobre a promessa de construir 250 creches em Pernambuco.

Na réplica, Raquel levou a discussão para os precatórios do Fundef. A governadora afirmou que a Prefeitura do Recife teria destinado recursos a um banco privado e contratado um escritório de advocacia com percentual sobre os valores.

João classificou a afirmação como falsa e afirmou que a prefeitura conquistou, por meio de acordo com o Governo Federal, o pagamento dos precatórios. Segundo ele, os professores tiveram liberdade para decidir sobre questões relacionadas ao sindicato e à contratação de serviços jurídicos.

Ivan Moraes apresenta propostas

Enquanto Raquel e João protagonizaram os principais confrontos, Ivan Moraes utilizou os espaços de fala para apresentar propostas e reforçar sua posição como alternativa aos dois candidatos. O candidato defendeu tarifa zero, o programa Lixo Zero e uma política cultural permanente.

Na segurança, citou um plano integrado de combate à violência contra a mulher e ao feminicídio. Ivan também apresentou uma proposta de plano estadual da cannabis, defendendo que o tema seja tratado sob uma perspectiva de tecnologia, desenvolvimento e redução do estigma.

Na educação, afirmou que pretende discutir com o Sintepe um plano para transformar contratos temporários em vínculos efetivos por meio de concursos públicos. Segundo ele, existem mais de 14 mil professores temporários na rede estadual.

Na saúde, prometeu garantir o piso da enfermagem e lembrou sua participação em mobilizações da categoria.

Considerações finais

Nas considerações finais, Raquel Lyra destacou os 3 anos e 9 meses de governo e afirmou que percorreu diferentes regiões de Pernambuco durante sua gestão.

A governadora citou investimentos, obras e ações sociais e afirmou que ainda existem desafios nas áreas de saúde, infraestrutura e segurança. Ao final, pediu a confiança dos eleitores para continuar no cargo.

João Campos utilizou sua experiência à frente da Prefeitura do Recife para apresentar ações nas áreas de saúde, educação e infraestrutura. O candidato dedicou parte significativa da fala final às mulheres e afirmou que pretende combater a violência contra elas.

João também citou uma eventual parceria com o presidente Lula e mencionou projetos como a Transnordestina, duplicação de estradas e obras em áreas de morro.

Ivan Moraes encerrou reforçando sua crítica ao que chamou de “revezamento de herdeiros” no Palácio do Campo das Princesas. O candidato afirmou que seus adversários passaram a reconhecer propostas apresentadas por sua campanha e voltou a defender seus projetos para transporte, meio ambiente, cultura, educação e saúde.

O debate terminou com Raquel Lyra e João Campos concentrando os principais confrontos em temas relacionados às suas administrações, enquanto Ivan Moraes buscou ampliar o espaço para propostas alternativas. Entre os assuntos que dominaram o encontro estiveram segurança, Delegacias da Mulher, aditivos em obras, salário da governadora, estradas, educação, creches, precatórios, servidores e políticas para as mulheres.

 

Do Júnior Campos

 

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