Raquel Lyra acelera articulação para eleição da Mesa Diretora da Alepe; Antônio Moraes aparece entre os favoritos
A disputa pela Presidência da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) começa a ganhar força nos bastidores políticos após as eleições de 2026. A governadora reeleita Raquel Lyra (PSD) intensificou as articulações com deputados estaduais para tentar construir uma composição favorável ao governo na Mesa Diretora que comandará a Casa a partir de 2027.
Nesta terça-feira (13), o secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça, reúne deputados da base governista no Palácio do Campo das Princesas para discutir a composição da futura Mesa. A governadora também programou um almoço com parlamentares aliados para quarta-feira (14), numa tentativa de avançar nas negociações.
Entre os nomes apontados nas articulações está o deputado estadual Antônio Moraes (PSD), que aparece como um dos favoritos para assumir a Presidência da Assembleia. Outros parlamentares, como Gustavo Gouveia (Podemos), Débora Almeida (PSD), France Hacker (PSB) e Joãozinho Tenório (PSD), também são citados nas conversas sobre a composição dos espaços de comando.
Apesar das movimentações, a disputa ainda não tem definição oficial, e a capacidade de cada grupo de reunir apoio será determinante para o resultado.
Governo busca ampliar influência na Assembleia
A movimentação de Raquel Lyra ocorre em um contexto diferente daquele enfrentado no início do primeiro mandato. Ao longo dos últimos anos, a governadora teve momentos de tensão com o atual presidente da Alepe, Álvaro Porto (MDB), em uma relação marcada por divergências políticas e embates envolvendo propostas do Executivo.
A escolha do próximo presidente é considerada estratégica para o governo estadual, uma vez que a Mesa Diretora exerce papel importante na organização dos trabalhos legislativos e na condução política da Assembleia.
Além da Presidência, as negociações envolvem postos estratégicos e a composição de comissões permanentes, entre elas a Comissão de Constituição, Legislação e Justiça e a Comissão de Finanças. Esses espaços têm influência na tramitação de projetos, na análise de propostas orçamentárias e no debate de matérias de interesse do Executivo.
Antônio Moraes ganha força, mas disputa continua aberta
Experiente na política pernambucana, Antônio Moraes é apontado como um dos principais nomes na disputa. A eventual escolha de um parlamentar do PSD, partido da governadora, representaria um movimento para aproximar a Presidência da Assembleia do Palácio do Campo das Princesas.
Gustavo Gouveia, por sua vez, aparece nas articulações como um nome ligado ao Podemos, enquanto outros partidos também buscam espaço na futura composição. A definição dependerá da capacidade de negociação das lideranças e dos acordos construídos entre os deputados.
A distribuição dos cargos pode ser decisiva para a formação de uma candidatura de consenso, sobretudo porque a disputa não se limita ao nome que ocupará a Presidência, mas também envolve a participação das bancadas na direção da Casa.
Nova composição muda o cenário político
O resultado das eleições estaduais de 2026 redesenhou a correlação de forças na Alepe. PSD e PSB terminaram o pleito com bancadas expressivas, enquanto outras legendas também buscam protagonismo nas negociações.
Embora a nova configuração possa favorecer a articulação governista, o apoio à Presidência não é definido automaticamente pelo tamanho das bancadas. A formação de alianças e os compromissos assumidos individualmente pelos deputados podem alterar o cenário até a votação.
A eleição da Mesa Diretora será, portanto, um dos primeiros grandes testes da capacidade de articulação política de Raquel Lyra para o novo mandato.
Mais do que escolher quem comandará a Assembleia, a disputa poderá indicar como será a relação entre o Executivo e o Legislativo pernambucano nos próximos anos. Até lá, as reuniões desta semana e os posicionamentos dos partidos devem ajudar a esclarecer quem terá condições de reunir os votos necessários para assumir o comando da Alepe.
