Raquel reage a João Campos, dispara contra o PSB e revela suposta rede com 450 perfis robotizados

A governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, adotou um tom mais duro ao falar sobre a disputa política com o PSB e o prefeito do Recife, João Campos, durante sabatina realizada nesta quinta-feira (27) pela Grande Rio FM.

Questionada sobre a exoneração de um servidor da Arena de Pernambuco citado em reportagem que apontou uma suposta estrutura de perfis destinados a atacar adversários políticos, Raquel rejeitou qualquer relação de seu governo com um eventual “gabinete do ódio” e devolveu as acusações ao grupo adversário.

A governadora afirmou que vem sendo alvo de ataques desde a campanha de 2022 e disse ter apresentado ao Tribunal Regional Eleitoral denúncias sobre uma suposta estrutura ligada a pessoas próximas de seu principal adversário.

Segundo Raquel, foram 43 perfis identificados com o mesmo advogado e ligados, segundo ela, a pessoas próximas ao adversário, além de 450 perfis que classificou como robotizados. Ela também afirmou que novas contas estariam sendo encontradas.

“Eu não tô aqui para fazer gabinete de ódio. Eu não tenho nem tempo para isso”, afirmou a governadora durante a entrevista. Raquel ainda declarou que quem tiver de responder deverá prestar esclarecimentos aos órgãos competentes.

Ataques e “velhas práticas” do PSB

Em um dos momentos mais políticos da sabatina, Raquel acusou o PSB de não aceitar sua chegada ao Governo de Pernambuco e classificou os ataques que afirma ter sofrido como uma forma de “violência política”.

A governadora também resgatou uma disputa anterior envolvendo denúncias sobre publicidade e fake news. Segundo ela, o Tribunal de Contas do Estado teria analisado o caso e concluído, conforme sua declaração, que não havia irregularidades nos contratos de publicidade mencionados.

Raquel aproveitou para atacar diretamente o grupo de João Campos: “Todo mundo conhece as velhas práticas do PSB”, afirmou.

PE-571 vira ponto sensível no Sertão

Outro momento de forte cobrança ocorreu quando a governadora foi questionada sobre a PE-571, estrada reivindicada há anos por moradores e produtores de Santa Maria da Boa Vista.

A pergunta ganhou peso político porque a vice-governadora Priscila Krause havia afirmado recentemente que o governo não teria recursos, neste momento, para executar a obra.

Raquel foi direta ao admitir que a rodovia ainda sequer possui projeto.

A governadora afirmou que não pretende prometer obras sem recursos e planejamento definidos e criticou gestões anteriores por anunciarem ações que, segundo ela, não saíram do papel.

A declaração coloca a PE-571 em uma situação diferente de outras obras citadas por Raquel na entrevista: enquanto o governo afirma ter bilhões de reais em investimentos rodoviários em execução ou licitados, a estrada reivindicada pela população de Santa Maria da Boa Vista ainda está em uma etapa anterior.

Sem escolher lado na disputa presidencial

Raquel também foi pressionada sobre sua decisão de não declarar apoio formal a um candidato à Presidência da República.

A governadora respondeu reforçando o discurso de que se considera “pernambucanista” e que pretende colocar os interesses do Estado acima das disputas partidárias.

Ela citou a relação administrativa com o presidente Lula e afirmou que conseguiu manter parcerias com o governo federal independentemente da disputa política.

O discurso é estratégico diante de uma eleição em que a definição do palanque presidencial pode influenciar alianças e votos em Pernambuco.

Raquel promete continuidade e transforma eleição em escolha entre “seguir em frente” ou “voltar ao passado”

Na parte final da sabatina, a governadora transformou a eleição em uma disputa entre a continuidade de seu projeto e um eventual retorno às gestões anteriores.

Raquel afirmou que seu governo encontrou Pernambuco com dificuldades financeiras, falta de projetos e problemas estruturais, e voltou a apresentar números de investimentos em estradas, saúde, segurança, água e assistência social.

Entre os principais números citados estão mais de R$ 7 bilhões em investimentos rodoviários, mais de 350 mil cirurgias eletivas, mais de 7 mil profissionais de segurança nomeados e a previsão de 3.900 novas contratações na área de segurança pública.

Ao pedir o voto, a governadora encerrou a participação com uma mensagem claramente eleitoral: disse estar pronta para liderar Pernambuco por mais quatro anos e pediu aos eleitores que ainda estão indecisos que avaliem as entregas de sua gestão.

A sabatina, porém, deixou expostos alguns dos temas que devem dominar a campanha: a guerra política com João Campos, as acusações envolvendo redes sociais, a cobrança por obras no interior e a posição de Raquel diante da eleição presidencial.

 

Do Júnior Campos

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