Reação: Márcia Conrado compartilha release celebrando atendimentos, mas relatórios do TCE, MPPE e Ministério da Saúde desmentem narrativa
Em meio a uma das piores crises estruturais da saúde pública dos últimos anos em Serra Talhada, a gestão da prefeita Márcia Conrado (PT) e da secretária municipal de saúde, Lisbeth Rosa, tenta construir um cenário de eficiência e avanço. Em nota enviada à imprensa nesta segunda-feira (27), a Prefeitura alardeou a marca de mais de 21 mil atendimentos entre janeiro e junho de 2026, destacando ações de descentralização de consultas e atendimentos noturnos nas Unidades de Saúde da Família (USFs).
Na nota, a prefeita declarou que a gestão cuida da população “com planejamento, responsabilidade e sensibilidade”, enquanto a secretária Lisbeth Rosa afirmou que as ações refletem o compromisso com “uma rede cada vez mais eficiente”.
No entanto, o tom de celebração da gestão municipal entra em rota de colisão direta com os dados frios de relatórios oficiais do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), do Ministério da Saúde (eSUS Feedback) e com investigações do Ministério Público de Pernambuco (MPPE).
Rebaixamento no TCE-PE: Vacinação despenca para o nível ‘Grave’
Enquanto a propaganda oficial vende avanço na Atenção Primária, o Índice de Fiscalização do Programa Nacional de Imunizações (IFPNI), divulgado pelo Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) com dados auditados de 2025, revelou um duro golpe para o município.
Serra Talhada despencou da classificação “Moderado” (nota 84,06) para o nível “Grave” (nota 62,84). Enquanto o estado de Pernambuco como um todo avançou e reduziu municípios em situação crítica, a Capital do Xaxado fez o caminho inverso.
Pajeú dá lição: Serra Talhada amarga lanterna na Atenção Primária
A narrativa de “eficiência” também não se sustenta no ranking do eSUS Feedback (1º Quadrimestre de 2026), levantado com exclusividade pelo Portal Júnior Campos. As métricas do Governo Federal, que avaliam vínculo, acompanhamento e qualidade do atendimento das equipes para fins de repasse financeiro, colocam Serra Talhada na rabeira da região:
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Posição Estadual: 105º lugar em Pernambuco.
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Posição Regional: 9ª posição no Pajeú (penúltimo lugar), ficando atrás de municípios bem menores, como Ingazeira, que atingiu níveis máximos de excelência.
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Perda de Recursos: Com a maior parte das suas equipes classificadas apenas como “Regulares” ou “Suficientes”, Serra Talhada deixa de captar o teto do cofinanciamento federal, dinheiro que deveria ir para a melhoria dos postos.
Apagão na assistência: 3 mil famílias abandonadas e silêncio de 8 meses no MPPE
A contradição entre o discurso da secretária Lisbeth Rosa e a realidade das comunidades fica ainda mais evidente na investigação instaurada pela 4ª Promotoria de Justiça do MPPE.
Diligências realizadas pelo Ministério Público em abril de 2026 nas UBSFs do IPSEP III e da Malhada constataram um grave déficit de Agentes Comunitários de Saúde (ACS). O número de profissionais despencou de 7 para 5 por unidade, gerando um apagão assistencial que deixou cerca de 3.000 famílias sem visitas domiciliares e sem acompanhamento básico de saúde, crucial no combate a endemias como a dengue.
Para piorar, a portaria do MPPE revelou que a secretária Lisbeth Rosa ignorou por oito meses dois ofícios do órgão ministerial (expedidos em outubro de 2025 e fevereiro de 2026) que cobravam explicações sobre a escala dos profissionais e o controle de frequência. A omissão obrigou o promotor Carlênio Mário Lima Brandão a dar um prazo sumário de 10 dias para a apresentação de um plano de emergência, sob pena de sanções judiciais severas.
Do Júnior Campos
